O histórico e o contemporâneo juntos

Centro Andaluz de Arte, de Sevilha, abrigado em antigo monastério, exibe retrospectiva de Nancy Spero e outras atrações

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

O antigo Monastério de la Cartuja de Santa María de Las Cuevas, em Sevilha, edificação de patrimônio histórico que mistura os estilos arquitetônicos árabe e cristão (como são tantas construções em solo espanhol), guarda não apenas camadas e camadas de culturas desde o século 14, como é também um dinâmico espaço para a arte contemporânea. Desde 1997 essa ampla construção, que presta homenagem ao navegador Cristóvão Colombo com um monumento e uma árvore trazida da Argentina, plantada por seu filho, é a sede do Centro Andaluz de Arte Contemporânea (Caac). Por entre grandes pátios - externos (com suas laranjeiras de fruto amargo que não se pode comer) e internos -, corredores, pequenas capelas e muitos ambientes , chega-se às amplas salas climatizadas nas quais estão em cartaz, atualmente: 1. a retrospectiva da obra da americana Nancy Spero; 2. a mostra de raiz conceitual e tecnológica do americano Stephen Prina; 3. a exposição de fotografias de espaços arquitetônicos dos artistas Bleda e Rosa e 4. a instalação The Morning Line, do britânico Matthew Richie.Nos últimos tempos, a Espanha vem cada vez mais investindo na criação de museus e centros de arte contemporânea como mais uma maneira de revitalizar seu turismo e, ao mesmo tempo, sua cena cultural. Sempre aparece, vez e outra, mais uma nova instituição, como, por exemplo, o Centro de Arte Dois de Maio, inaugurado no ano passado em Móstoles, na região Sul de Madri. Ou mesmo o Museu do Prado, que abriu em 2007 seu edifício anexo para que esse seja seu espaço dedicado a mostras de arte contemporânea e moderna (atualmente, nele se apresenta a retrospectiva do pintor irlandês Francis Bacon) para ampliar as atrações de uma instituição tão histórica. Para se ter uma ideia, em sua coleção o artista "mais jovem" é Goya. E os novos centros também se empenham em criar coleções ecléticas de arte: a do Caac, que fica exposta permanentemente, contempla obras de Louise Bourgeois, da alemã Candida Höfer, do italiano Francesco Jódice, entre tantos outros.Em Sevilha, cidade turística da região da Andaluzia, no Sul da Espanha, a mescla do histórico e do contemporâneo já se vê na entrada do Centro Andaluz de Arte Contemporânea. Recebendo os visitantes está The Morning Line, instalação escultórica de ferro em preto criada pelo artista Matthew Richie em colaboração com os arquitetos nova-iorquinos Aranda & Lasch. A obra, um projeto da Fundação Thyssen-Bornemisza que mistura o escultórico, projeções, sensores e cabos de áudio, está desde outubro na instituição andaluza, quando integrou a 3ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Sevilha. Agora, quando não se fazem apresentações de música e projeções em sua estrutura tecnológica, fica no espaço do Caac apenas a malha escultórica, grande, extensa, instalada em local no qual está rodeada por um lago - e ela continua a ser um lugar para o espectador se envolver.Mas a grande atração do Caac é mesmo a mostra Dissidências, retrospectiva da artista americana Nancy Spero, em cartaz até 22 de março. A mostra, de caráter cronológico para apresentar de forma ampla as criações de Nancy, nascida em 1926, foi exibida anteriormente no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA) e no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri. O universo feminino e o da política, com denúncias contra a violência (entre elas, dos regimes ditatoriais latino-americanos), são os temas de trabalho da artista, que cria dentro de uma gama eclética de meios, como instalações, pinturas, desenhos, a palavra e o vídeo. O fio condutor da exposição é, literalmente, uma linha formada por um grande texto que liga todas as salas expositivas - começa com a inscrição "Uma imagem ideal (clássica, inteira, como pode a mulher ser universal se tem uma fenda?)...." e assim vai. Nas obras mais recentes de Nancy há até mesmo uma obsessão pelo tema da tragédia do 11 de setembro de 2001 em Nova York e, no espaço da capela, ela recriou a instalação Mastro: Take no Prisioners (2007), apresentada na Bienal de Veneza daquele ano. A repórter viajou a convite do Centro Oficial de Turismo Espanhol

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