O ganhador do Oscar A Vida É Bela, dentro do espírito natalino

Há dez anos, o Brasil concorria ao Oscar de melhor filme estrangeiro com Central do Brasil, mas a Academia de Hollywood preferiu atribuir seu prêmio A Vida É Bela, de Roberto Benigni. Ambos contam a história de garotos chamados Samuel. O Samuel brasileiro partia numa mística viagem em busca do pai, acompanhado por uma mulher que, pelo caminho, também (re)descobria a própria ética. Era interpretada por Fernanda Montenegro, que também foi indicada para o Oscar de atriz. Mas foi Benigni que somou ao Oscar de filme estrangeiro o de ator.A Vida É Bela passa às 22 h no Telecine Cult. Há uma década, provocou um vendaval de críticas, com mais detratores que admiradores, mas é uma experiência assistir à história desse pai, o próprio Benigni, que tenta salvaguardar o filho do horror do campo de prisioneiros em que a família de origem judaica foi confinada pelos nazistas e tece um mundo de fantasia para o pequeno Samuel.O interesse por ver, ou rever, A Vida É Bela nesta véspera de Natal liga-se um pouco ao próprio espírito da época. Em meio a tantas festas, pode-se refletir sobre como, há apenas 60 e poucos anos, um horror tão intenso quanto o nazismo se tornou possível. Mas há outra fábula cruel, nos cinemas. Diante de O Menino do Pijama Listrado, você até pode achar que se trata de novo A Vida É Bela. O menino, filho do comandante nazista, acha que o campo de concentração é uma fazenda e o menininho de pijama listrado é estranho. São duas crianças que devem se odiar, programadas para isso. O pijama listrado é símbolo da infâmia do garoto judeu. Por pouco verossímil que pareça a história, O Menino nos devolve ao universo abominável, que vira ?faz de conta?, de A Vida É Bela. Você pode até não gostar, mas tem de ver. Ambos.

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