O futuro com dolorosos ares do presente, em Código 46

O cinema de Michael Winterbottom é exemplar. Se nem sempre acerta em seus ensaios (como misturar sexo, música e amor em 9 Canções), é visceral ao tratar dos problemas do presente (como em Neste Mundo). E não apenas a realidade preocupa o cineasta, como revela Código 46, que o canal TNT exibe às 20 horas.Belo e enigmático filme, conta a história de uma sociedade do futuro, controlada por um governo totalitário, em que os cidadãos têm seu código genético registrado, o que só permite que viajam se apresentarem um visto especial. A trama começa quando uma suspeita de fraude no tal código 46 leva o investigador Tim Robbins a Xangai, onde se envolve com a principal acusada.Winterbottom é inteligente - para não distrair a atenção do espectador, ele optou por não utilizar um cenário excessivamente futurista, concentrando o foco no roteiro. Uma decisão acertada, pois a história, embora ambientada no futuro, é totalmente atual, pois trata de um mundo controlado por poucos, e em que a maioria não passa de mão-de-obra. A cena em que Robbins cruza uma fronteira espelha-se com perfeição no que acontece hoje entre países ricos e pobres.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.