O exigente e atual desafio do amor

Realizado no Sesc Carmo, o projeto Filosofia de Bolso vai discutir paqueras e relacionamentos afetivos nos dias de hoje

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

Responsável pelo primeiro módulo do projeto Filosofia de Bolso - intitulado A Invenção da Paquera -, o biólogo Sandro Caramaschi admite que ''a paquera é mais ou menos uma invenção''. O ato de escolher e conquistar parceiros é realizado a partir de uma conjunção de fatores de diversas ordens - social, cultural, histórica e biológica. A ênfase da apresentação de Caramaschi, que ocorre no Sesc Carmo hoje, a partir das 18h30, será na evolução biológica da paquera.O bate-papo é gratuito. Ele abre uma série de seis temas - a paixão, o amor, o namoro, o ciúme, o casamento, e ainda a paquera - que serão debatidos a cada bimestre. Até agora está confirmada somente a próxima participação: o psicólogo Esdras Guerreiro Vasconcellos fala sobre a Invenção da Paixão no dia 20 de agosto.A dúvida sobre se a liberalização dos costumes desencadeada nos anos 1960 demanda novas formas de relacionamento é o ponto de partida para falar das atuais relações amorosas. Fragmentos de Um Discurso Amoroso (Martins Fontes, 368 págs., R$ 45,80), obra do filósofo estruturalista francês Roland Barthes (1915-1980) publicada em 1977, é a principal inspiração do projeto. Bebendo na fonte da psicanálise, sobretudo Lacan, e do marxismo, Barthes fala que o discurso amoroso hoje vive sob o fardo de uma grande solidão. Por uma razão simples: embora todos falem dele, ninguém o sustenta na prática.O pensador afirma que o amor está apartado do exercício do poder, das linguagens existentes, dos saberes, da ciência, das artes. Em 1975, ele apontava para o potencial subversivo da transformação do discurso amoroso em prática ao definir a palavra amador na obra Roland Barthes por Roland Barthes (Estação Liberdade, 216 págs., R$ 36,50). Amador é aquele que pratica a pintura, a música, o esporte, a ciência, etc., sem espírito de maestria ou competição; ele traz prazer à criação, é ''o artista contraburguês''. Ainda que relegado do cotidiano, como Roland Barthes afirmou, o amor continua no ar e a serviço da invenção de um novo modo de viver.Docente na Unesp de Bauru, Sandro Caramaschi vai analisar ''o comportamento natural'' dos relacionamentos, sem se prender apenas às dimensões cultural e individual das pessoas. Sua perspectiva é a da psicologia evolucionista - ele trabalha na zona de cruzamento da biologia e da psicologia, segundo diz.''Existem princípios previsíveis na hora de escolher um parceiro'', afirma. Caramaschi afirma haver características inerentes ao homem e à mulher. Ele dá um exemplo para cada gênero. O homem se guia pela atração física. Há um padrão no comportamento masculino: a procura de uma mulher com uma cintura que tenha 70% do tamanho do quadril. Já a mulher procura os homens espirituosos, que sabem contar piadas, porque isso é um indício de inteligência. ''Nessa perspectiva, os homens engraçados seriam mais capazes de arrumar um emprego, por exemplo'', diz Sandro.O biólogo admite que ainda é cedo para prever as transformações biológicas provocadas pelos costumes mais liberais. ''As afirmações se baseiam em observações superficiais.'' Embora os relacionamento s tenham mudado na aparência, a estrutura deles permanece: eles continuam despertando as angústias e as dúvidas de antigamente.Serviço Filosofia de Bolso. Sesc Carmo (100 lug.). Ruado Carmo, 147, 3111-7000.Hoje, 18h30. Grátis

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