O encanto das pequenas histórias de Minas

Novo longa-metragem de Helvécio Ratton agrada ao público de Paulínia e estréia aqui na sexta-feira

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

No palco do Theatro Municipal de Paulínia, o cineasta Helvécio Ratton apresentou seu filme e desejou que ele encontre seu espaço no mercado cinematográfico, tomado pelo blockbusters infanto-juvenis neste mês de férias. A fresta desejada seria para o filme Pequenas Histórias, que compete no Festival de Paulínia e estréia sexta-feira no circuito comercial.A proposta de Ratton se resume a tirar o máximo do mínimo. Tendo Marieta Severo como espécie de ''âncora'' da narrativa, o filme desdobra-se em quatro histórias. A do pescador de um rio carente de peixes que um dia fica tentado pela Iara (Patricia Pillar); a do garoto candidato a coroinha da igreja que se sente assombrado por histórias de almas do outro mundo; a do velho ator (Paulo José), obrigado a ganhar uns trocados com a fantasia de Papai Noel na época de Natal; por fim, a do capiau muito ignorante (Gero Camilo), apropriadamente apelidado de Zé Burraldo, e suas peripécias pelo mundo do sertão.O público de Paulínia assistiu ao filme com prazer perceptível. Em particular no terceiro episódio, o de Paulo José, que é emocionante, muito pela interpretação do ator, que não pôde comparecer ao festival por problemas de saúde, como informou Ratton. Mas, o episódio mais amado - e que provavelmente marcará este filme - é o último, o de Zé Burraldo.Há uma magia doce nesta história desse caboclo de poucas luzes, que sai pelo mundão sendo enganado a cada passo por uma dupla de malandros. Não convém nem de leve parafrasear a história para não estragar o prazer de quem for vê-la no cinema. Mas deve-se dizer que seu enredo faz parte do anedotário popular. Tem um pouco de Pedro Malasartes, do Lazarilho de Thormes, enfim, do picaresco e suas variantes. Do burraldo que acaba dando certo porque não enxerga um palmo adiante do nariz e assim, meio sem querer, consegue subverter normas e mesmo as regras de uma representação teatral com a qual se envolve.Pequenas Histórias é um filme simples e honesto. Espera-se que possa encontrar seu público em tempos difíceis.O repórter viajou a convite da organização do festival

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