O diálogo do palco com a virtualidade em O Endireita

Peça dirigida por Zé Henrique de Paula é adaptação de livro só lançado na internet

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

Arte presencial, o teatro tem dialogado por diversos caminhos com o mundo da virtualidade. O livro O Endireita, de Edson Athayde, pode ser lido na internet no site www.oendireita.com e só ali. Nunca foi lançado em papel, seu único suporte é digital. Pois o ator Davi Amarante leu, gostou, e decidiu adaptá-lo para o palco. Chamou para a direção Zé Henrique de Paula, que teve a sensibilidade de unir linguagens.Como? "A adaptação cênica segue a ideia de navegação. É um livro de crônicas escritas em diferentes épocas. Das 15, escolhemos 8, uma delas como fio condutor. A partir dessa narrativa, outras se desdobram, como se fossem links que o espectador clica, acessa, e depois volta", conta Zé Henrique.Toda a ação transcorre num ambiente que remete aos circos mambembes e se há algo comum entre as narrativas é um certo fracasso anunciado. Por exemplo, há um personagem com grave deficiência física que quer atravessar a nado o Canal da Mancha."A gente sabe que ele não vai conseguir, mas torce até o fim. Esse é tom de todas as histórias, meio fabuloso."Quem conhece a criação desse diretor sabe que a musicalidade é uma das marcas de seu trabalho. No caso de O Endireita, que estreia hoje no Teatro do Centro da Terra, não se trata de uma criação de seu grupo, ele foi convidado por Amarante. Mas levou junto Fernanda Maia, que assina a direção musical e é autora das seis músicas inéditas do espetáculo. "Algumas crônicas têm uma prosa poética que, ao ler, a gente se deu conta de serem praticamente letras de música. Fernanda, então, compôs as canções a partir de substratos desses textos."As composições ganharam as vozes de Amarante, Cadu de Souza e João Buono, os três atores em cena, porém mais especialmente na de Nábia Villela, atriz experiente, capaz de potente e belo canto. "Ela é incrível, tem uma percepção musical fina e a presença dela enriqueceu a todos nós." ServiçoO Endireita. 60 min. Teatro do Centro da Terra. Rua Piracuama, 19, Sumaré, 3675-1595. 6.ª, 19h30; sáb., 19 h; dom., 17 h. R$ 20/R$ 30. Até 25/10

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.