O Contista

Após lançar uma nova edição de Macunaíma e Os Filhos da Candinha, a editora Agir coloca nas livrarias mais um livro de Mário de Andrade, Os Contos de Malazarte (168 págs., R$ 29,90). A coletânea tem sete histórias, publicadas originalmente na revista América Brasileira, em 1924. Narradas por Belazarte, espécie de alter ego de Mário, as histórias do livro são ambientadas nos bairros pobres de São Paulo. Empenhado em descrever a geléia cultural do subúrbio, Mário recorre a uma linguagem plena de oralidade para contar desde a história de um homem cinqüentão, elegante, culto e de boas maneiras que mora com a mãe no centro de São Paulo (ele mesmo?), até a vida da infeliz Nízia, que, morto o pai, se vê só no mundo com sua prima Rufina, numa casa da Lapa. Como um Maupassant a passear pelo subúrbio, Mário cria um livro saboroso que fala de pobres e dos imigrantes com ternura e crítica, anunciando as diretrizes do modernismo.

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