O conceito de experiência de Iberê Camargo em mostras

Ambas estão em Porto Alegre: uma exige criações do próprio artista e Dentro do Traço, Mesmo, 97 gravuras de convidados

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

A Fundação Iberê Camargo abre hoje duas exposições de seu acervo para evocar o conceito de "experiência" em diversas técnicas na produção do próprio Iberê (1914 -1994) e exibir as múltiplas possibilidades da gravura em metal em peças produzidas por dezenas de outros artistas consagrados. A mostra Dentro do Traço, Mesmo exibe 97 gravuras produzidas por 56 participantes do Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura da Fundação Iberê Camargo selecionadas por Teixeira Coelho, curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo (Masp), professor da Universidade de São Paulo (USP) e autor de diversos livros e catálogos de arte.

O programa foi criado em 2000 para manter vivo o ímpeto criativo e a busca por experimentação de Iberê. Desde então, artistas de todo o País e eventualmente do exterior são convidados a passar temporadas em Porto Alegre para produzir gravuras na mesma prensa que um dos maiores expoentes do expressionismo brasileiro usava. "É uma iniciativa rara no País, um projeto que é um convite à experimentação e à revisitação do trabalho de cada artista em um meio muitas vezes pouco habitual à sua produção", afirma Teixeira Coelho. Depois de analisar o material da coleção, o curador optou por organizar a exposição nos eixos Uma Arte em Negro, com gravuras impressas em tons pretos, e A Cor e a Busca da Cor, com peças em tons coloridos.

Estão expostas gravuras de Antonio Dias, Carlos Zílio, Waltercio Caldas, Amílcar de Castro, Carmela Gross, Jorge Machi, José Resende, Siron Franco, Nelson Leirner, Paulo Pasta, Regina Silva, Vera Chaves Barcello, Walmor Corrêa e até do arquiteto português Álvaro Siza, autor do projeto do prédio da Fundação Iberê Camargo, entre vários outros.

A outra exposição, Iberê Camargo - Uma Experiência da Pintura, reúne 26 pinturas, 18 gravuras, 17 guaches e 6 desenhos assinados pelo próprio Iberê. A curadora Virgínia Aita, pesquisadora em estética e doutora em filosofia da arte pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que a seleção destaca a maneira visceral como o artista vivenciou a arte.

A mostra está dividida em duas partes. A primeira exibe as naturezas-mortas e as séries de carretéis dos anos 40 a 60 do século passado ao lado de gravuras com temas análogos. É o caso, por exemplo, da tela Fiada de Carretéis (1961) e da gravura Estrutura em Movimento (1962). "Nessa sequência procuro mostrar o diálogo intenso entre pintura e gravura em metal, para a qual Iberê transpunha técnicas altamente pictóricas", destaca Virgínia, referindo-se à disposição das peças. A segunda parte remete à melancolia da última fase de Iberê com telas comentadas por estudos em desenho e guache numa série que a curadora denomina Luz Crepuscular por transparecer a "angústia serena" que tomava o artista em seus últimos anos.

Entre as obras estão Tudo Te é Falso e Inútil I e II (1992), Ciclista (1990) e No Tempo (1992). "Nessa fase há uma intensificação da dramaticidade, a vida que Iberê teve ecoa na pintura", comenta Virgínia.

O público pode conferir as 164 obras das duas mostras até 29 de novembro no prédio da fundação, Avenida Padre Cacique, 2.000, em Porto Alegre.

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