O clássico mais amado pelos surrealistas

Versátil recupera O Retrato de Jennie, de William Dieterle, com Jennifer Jones e Joseph Cotten

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

Rubens Ewald Filho faz a apresentação de O Retrato de Jennie, nos extras do clássico romântico de William Dieterle, lançamento em DVD da Versátil. Ewald Filho lembra que o filme quase levou à falência o superprodutor David Selznick, de ...E o Vento Levou, mas isso não impediu que virasse cult. Os surrealistas eram loucos por Jennie. O filme de Dieterle antecipa Em Algum Lugar do Passado, de Jeannot Szwarc, com Christopher Reeves e Jane Seymour.Há quase 30 anos (em 1980), o público fazia fila diante dos cinemas para chorar ao som de Rachmaninoff, na história do homem que atravessava o tempo para (re)viver um grande amor do passado. O que pouca gente se deu conta é de que Szwarc estava seguindo a receita de Dieterle em seu filme de 1948. No original, Joseph Cotten faz pintor sem vintém (nem inspiração), até que chega esta garota misteriosa, Jennie. Ela se transforma em sua modelo e a história toma um rumo fantástico.Jennifer Jones é Jennie e o filme foi mais um que seu marido, o produtor Selznick, fez para ela. Selznick, que permitiu a Vivien Leigh criar uma das personagens mais famosas da história do cinema - Scarlett O''Hara, justamente em ...E o Vento Levou -, foi sempre obcecado pelo fato de que Jennifer poderia ter sido a heroína do épico romântico adaptado do romance de Margaret Mitchell. Já que não tinha mais uma Tara para lhe oferecer no cinema - a residência mítica da família O''Hara -, ele buscou outros papéis românticos para a sua Jennie. Ela foi Pearl Chávez, no western Duelo ao Sol, de King Vidor, e a própria Jennie de O Retrato.Embora o rei Vidor fosse um grande diretor capaz de realizar sozinho os próprios filmes, reza a tradição de Hollywood que William Dieterle teria dirigido os planos iniciais, que mostram a mãe de Pearl dançando no saloon. Dieterle nasceu na Alemanha, onde foi discípulo do grande diretor de teatro Max Reinhardt. Ele foi ator, mas sonhava ser diretor, atividade que desenvolveu em Hollywood, nos anos 30 e 40. O barroquismo da sua adaptação de O Corcunda de Notre Dame é realçado pela interpretação genial de Charles Laughton. Suas cinebiografias são célebres (Pasteur, Zola, Juarez). Seus filmes noir (Zona Proibida, Cidade Negra e Tributo de Sangue) são bons. Mas se fosse preciso escolher um só de seus filmes seria O Retrato de Jennie, com seu impecável preto-e-branco que vira tecnicolor, no desfecho.

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