O centenário da imigração japonesa no Brasil

Humanidades promove um debate sobre a herança do diálogo entre as culturas brasileira e do Japão

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

19 Janeiro 2008 | 00h00

Em 18 de junho deste ano se completam 100 anos da chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos. Ele trouxe 165 famílias japonesas, que se transformariam numa comunidade nipônica de 1,5 milhão de indivíduos, entre natos e naturalizados, a maior fora do Japão. Para entender os efeitos do centenário da imigração japonesa no País, Humanidades (Editora UNB, nº 54, 154 págs.) traz uma edição em que debate a herança do frutífero diálogo entre as culturas do Japão e do Brasil. Variados, os assuntos passam pelo debate do ensino da língua portuguesa em terras brasileiras, pela dança, pela pintura, pela poesia, pelo cinema e pelas histórias em quadrinhos. Autora de Mangá - O Poder dos Quadrinhos Japoneses, Sonia M. Bibe Luyten escreve um artigo sobre a penetração da cultura popular japonesa no mundo e no Brasil. Ela mostra como as HQs, as canções populares e as revistas baratas, até meados dos anos 1950 desconhecidas no exterior, se tornaram produtos de massa, apesar da propaganda oficial a favor da arte elitista. Houve uma mudança das idéias políticas e culturais cultivadas pelo Ocidente em relação ao Oriente: os temas envolvendo a juventude japonesa ganharam relevância para norte-americanos, europeus e brasileiros. A influência foi mútua, tanto que as formas físicas das personagens dos mangás se ocidentalizaram. Uma entrevista com Tomie Ohtake, nascida no Japão, em 1933, e radicada no Brasil desde 1956, mostra como ela, uma das maiores expoentes das artes plásticas brasileiras, faz seus trabalhos movida pela crença de que a arte existe não para reiterar os problemas sociais, mas para transcendê-los. Pensando a vida em paisagens, ela foi capaz de criar novas formas durante sua trajetória singular.

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