O bombardeio a Guernica em perspectiva

História Viva traz dossiê sobre um dos mais impactantes crimes de guerra

Karla Dunder, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Os horrores do bombardeio à cidade basca de Guernica em 1937, um laboratório do que viria a ser o horror da guerra moderna, é o tema da História Viva (Duetto, R$ 19,90, www.historiaviva.com.br). Um dossiê que abre com uma cronologia detalhada da Guerra Civil Espanhola, um artigo descreve os horrores do bombardeio, outro apresenta os bastidores e planos do ataque e a ação da Legião Condor e, por fim, o relato apaixonado de George Steer, um repórter no front. Claro, não seria um dossiê completo se deixasse de lado um dos símbolos do martírio basco, Guernica, de Pablo Picasso.Bruno Fiuza destaca em Os Bascos - Do Sonho à Derrota que o bombardeio a Guernica, além de um duro golpe para a Espanha republicana, foi o fim da República Basca. O autor contextualiza as origens do nacionalismo basco e também da guerra civil. "A agitação dos sindicatos comunistas e anarquistas pressionava a República Espanhola a realizar reformas sociais que cada vez despertavam mais descontentamento entre os setores conservadores da Igreja e do Exército. A tensão atingiu seu ponto máximo às vésperas das eleições de fevereiro de 1936, quando a esquerda e a direita prometiam veladamente uma reação de força, caso perdessem a disputa."Fiuza observa,ainda, que os nacionalistas bascos se aproximaram dos partidos de esquerda depois que o governo da Frente Popular assumiu o compromisso de aprovar um estatuto de autonomia. Quando a guerra começou, Franco frustrado com os poucos avanços para a retomada de Madri mudou o foco da guerra para o Norte. "Atacados no coração de sua tradição cultural, os bascos resistiram por mais dois meses, até a queda de Bilbao (...). Oito meses após o seu surgimento, a República Basca chegava ao fim."Rémi Kauffer detalha a ação militar da Legião Condor - o corpo expedicionário alemão na Espanha. Idealizado pelo barão prussiano Wolfram von Richtofen, o maciço ataque a Guernica lançou 50 toneladas de bombas. Caças metralharam indistintamente homens, mulheres e crianças. Até os anos 70, os franquistas negaram que o bombardeio foi comandado por seus aliados, em vão. A opinião pública mundial sabia do ocorrido. A Espanha funcionou como um laboratório de guerra para os alemães.Foi George Steer, jornalista e simpatizante dos bascos, que deu em primeira mão a notícia do bombardeio. Por meio de seus relatos, o mundo conheceu os horrores da Guerra Civil Espanhola. O impacto do massacre motivou Picasso a fazer uma de suas obras mais célebres e a simbologia dos elementos é muito bem explicada em Um Quadro ao Movimento da História.

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