O bom Donato faz a festa em show celebração no Rio

Aos 75 anos de idade e 60 de carreira, músico tocou faixas de A Bad Donato

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

João Donato não é do tipo que liga para datas, nem mesmo para as redondas. Setenta e cinco anos de idade, 60 de carreira, 10 de casamento com Ivone - "são apenas números, e números não significam nada...", ele diz, explicando algo que, para quem o conhece, seria desnecessário.

No dia do aniversário, 17 de agosto, não houve grande comemoração, conta. Mas na última segunda-feira ele fez a festa no palco do Teatro Rival, no Rio.

O show, organizado pela rádio MPB FM, foi baseado no repertório de A Bad Donato, o disco de 1970 só com temas instrumentais que costuma figurar nas listas dos "mais importantes da história", e que marca uma virada na trajetória de Donato, então radicado nos Estados Unidos: o piano (pré, pós) bossa nova com sotaque caribenho ganhava sonoridade mais pesada.

"Eu estava procurando a batida perfeita, como o Marcelinho D2 (com quem já gravou) está procurando", lembrou Donato em entrevista às vésperas da apresentação.

Cheio de experimentações, o disco, gravado em Los Angeles e lançado só há quatro anos no Brasil, pela Dubas, foi tocado inteiro para um público empolgado. Ainda mais entusiasmado estava Donato, feliz com sua música, sua banda (Robertinho Silva na bateria, Luiz Alves no contrabaixo, Ricardo Pontes no sax, José Arimatéa no trompete e Marlon Sette no trombone) e as novas sonoridades trazidas pelo filho Donatinho, responsável pelas programações que mudaram a cara de músicas como The Frog (A Rã), Cadê Jodel (The Beautiful One), Celestial Showers, Bambu, Lunar Tune e Debutant?s Ball, de A Bad Donato, além de Ahiê, Cala a Boca, Menino (Dorival Caymmi) e Bananeira.

A gravação (que deve virar DVD) era de um programa em que artistas são entrevistados entre uma música e outra. Com a originalidade que marca sua personalidade, Donato deu dica para músicos iniciantes ("ler a Bíblia") e falou de seus ídolos, entre eles o pianista Stan Kenton ("Mesmo as músicas de que eu não gosto, eu gosto.")

Donato é artista prolífico - seus encontros musicais (com Paulo Moura, Bud Shank, Wanda Sá, Emílio Santiago, entre outros) vêm rendendo shows e CDs mundo afora praticamente todos os anos. Para comemorar as seis décadas como músico profissional, seria possível refazer em show Quem É Quem (1973), outro disco seu na categoria "essencial". Ou fazer uma retrospectiva, com as músicas letradas, como A Paz, Lugar Comum (parcerias com Gilberto Gil), Simples Carinho (com Abel Silva), Até Quem Sabe (com o irmão, Lysias Enio).

A opção por A Bad Donato foi da rádio, e Donato gostou da ideia. Ele considera que sua música "foi determinada para ser celestial, para elevar o espírito, fazer você mais amoroso, calmo", e o público sentiu (sente) seus efeitos. O pianista, cuja obra é descrita como inclassificável, fundadora da moderna música brasileira é, também, generoso.

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