O balanço incatalogável do MMW

Trio americano de órgão, bateria e contrabaixo alarga as fronteiras do jazz

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

Um dos mais modernos e ousados grupos do jazz moderno, o trio Medeski, Martin & Wood (MMW) acostumou os ouvidos das novas platéias do gênero a um coquetel que mistura funk, hip-hop, avant-garde, rock e muito groove. E até jazz no sentido estrito. Essa combinação ganhou um novo ingrediente em janeiro desse ano, quando eles lançaram um disco para crianças, o divertidíssimo Let?s Go Everywhere (Dig), cuja arte da capa lembra o mítico Submarino Amarelo dos Beatles.Pois bem: se você é um dos sortudos que tem um ingresso para o show do MMW na quinta-feira no Bourbon Street, vai ouvir duas ou três das canções funkeadas desse disco, segundo promete o contrabaixista Chris Wood, integrante da banda. Let?s Go Everywhere, um dos mais bacanas trabalhos para crianças lançado em anos recentes, não é somente para crianças - como, de forma análoga, o trabalho do MMW também é incatalogável."O pretexto era um disco para crianças, mas nós fizemos música, e música não tem um destino específico, é para quem gosta de música", disse Wood, falando ao Estado por telefone, na semana passada.Ainda assim, eles contaram com reforços infantis no trabalho - as vozes dos rebentos Dakota (filha do tecladista John Medeski) e Nissa (filha do próprio Wood). "Infelizmente, eles têm aula agora e não poderão vir para cantar com a banda", diverte-se o baixista.Mas o disco para crianças não é a única novidade do grupo este ano. Eles estão em ebulitiva atividade: gravaram um álbum com o guitarrista Jon Scofield e lançaram o fabuloso disco Zaebos: The book of angels - Vol. 11, uma releitura da música do compositor vanguardista nova-iorquino John Zorn e seu projeto Masada. Zaebos é talvez um dos mais ambiciosos trabalhos recentes do MMW. Eles tocam 11 das canções do Livro dos Anjos de John Zorn. É uma fusion de muito impacto e extremamente balançante - tanto que John Medeski, tempos atrás, definiu sua música como "dance music", na impossibilidade de enquadrá-la apenas como mais um ramal do jazz. "Não é também apenas música para dançar, porque tem algumas coisas que não serviriam como um apelo aos movimentos do corpo. Não dá mesmo para definir o que fazemos. O que posso dizer a você é que, quando nós começamos a trabalhar num disco, sabemos precisamente aquilo que não queremos. Sabemos muito bem aquilo que não somos", disse Wood.O contrabaixista do MMW falou brevemente de suas referências primordiais. Assim como Medeski tem seu estilo fundado nos primórdios do funk americano, de grupos como Meters, Wood diz que sua inspiração veio de muitas fontes, de Stevie Wonder a James Brown, do música do oeste africano a Hermeto Pascoal e Elis Regina. "No jazz, eu sempre ouvi muito Miles Davis. A forma como Miles e seus quintetos interagem enquanto banda, aquilo é referencial", afirmou."Não é absurdo que nos cataloguem como jazz, porque a improvisação é marca do nosso trabalho. Mas nós não nos sentimos jazzistas", disse. O fato é que a música do MMW é uma espécie de chamariz de jovens músicos, que sempre lotaram suas apresentações no Brasil - já vieram três vezes ao Brasil.Wood, como a maioria dos artistas de seu País, vive uma expectativa muito grande com as eleições presidenciais, que opõem John McCain e Barack Obama. "Os americanos temos uma mentalidade meio esportiva, que expandimos em direção à política. Nós decidimos como se estivéssemos torcendo para um time, infelizmente. E muita gente não vota em alguém porque seria como mudar de time", ele pondera. "Eu apóio Obama com energia, como quase todo mundo. Sei que há um componente de astro hollywoodiano ali, mas acredito nele, em sua sinceridade, para além dos clichês da política." ServiçoMedeski, Martin e Wood. Bourbon Street (400 lug.). Rua dos Chanés, 127, Moema, telefone 5095-6100. 5.ª (dia 18), 23h30. R$ 95/R$ 125

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