O ardor revolucionário de Reds, por Warren Beatty

Quando esteve em São Paulo para ser homenageado no Festival de Cinema Latino-Americano do Memorial, o cineasta mexicano Paul Leduc contou que Warren Beatty, antes de realizar Reds, pediu à empresa distribuidora de Reed, México Insurgente uma cópia do filme. Isso sugere que Beatty sabia muito bem o que estava fazendo ao abrir seu filme sobre John Reed daquela maneira.Reds é a atração de hoje na TV paga. Passa às 16h55 no Telecine Cult. Na abertura do filme, o próprio Beatty, no papel do jornalista, corre atrás de um carro, em plena revolução mexicana. É o fim do filme de Paul Leduc, que termina justamente com o herói correndo atrás da carreta (da revolução?)Vencedor de vários Oscars, incluindo o de direção, Reds não emplacou o de melhor filme, que foi (em 1980) para Carruagens de Fogo. Em plena era Ronald Reagan, quando o triunfo conservador nos EUA e na Inglaterra (com Margaret Thatcher) dava as cartas, Beatty foi contra a corrente, fazendo o elogio do jornalista norte-americano que cobriu as revoluções do México e da Rússia. O ardor revolucionário percorre Reds. Oscars (merecidos) também foram para Maureen Stapleton, como melhor coadjuvante, e Vittorio Storaro, como melhor diretor de fotografia.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

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