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Consagrada pela batida de João Gilberto, bossa nova festejará 50 anos em 2008 com megaevento

Pedro Henrique França, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 00h00

Em abril de 2005, o produtor artístico Rogério Brandão, que trabalhou com diversos nomes da bossa nova e da MPB, lançou a série documental Sete X Bossa Nova, de sete episódios, realizada em parceria com a DirecTV, a primeira iconográfica do gênero. Premiada em Nova York, a série seria o embrião de um megaprojeto: o evento Chega de Saudade - 50 Anos da Bossa Nova, anunciado com exclusividade ao Estado, e que já tem etapas definidas, grande parte dos cantores escalados e 40% do orçamento de cerca de R$ 10 milhões captado.A pouco mais de sete meses para a comemoração dos 50 anos da bossa nova, cujo surgimento data de abril de 1958, Brandão e o empresário Leonardo Soltz acertam os detalhes finais do megaevento. Com o intuito de levantar o restante dos recursos, já foi acertado um espetáculo fechado, em outubro, ainda sem data definida, que ocorrerá no Memorial JK, em Brasília e vai marcar também o lançamento oficial Chega de Saudade - 50 Anos da Bossa Nova.De Brasília, o festival segue para a segunda etapa - Isso É Bossa Nova -, a ser realizada em três capitais: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Dedicada a trazer representantes do movimento, como Roberto Menescal, Wanda Sá, Joyce e João Donato, e contemporâneos que sofreram suas influências, como Bossacucanova e Simbora, será realizada entre dezembro deste ano e março de 2008. Atrações internacionais também estão sendo negociadas, como Tommy James e Kristine Mills - pianista e vocalista da Duke Ellington Orchestra -, além do guitarrista John Pizzarelli.No total, para essa segunda fase serão 27 shows, 9 em cada uma das cidades - e todos gratuitos. Os organizadores informam que, além das três capitais, o festival percorrerá também, ''''no mínimo'''', quatro países - Estados Unidos, Japão e dois europeus a serem definidos. A programação deve integrar ainda a agenda oficial do governo federal para a comemoração do cinqüentenário da bossa.Segundo o empresário, a escolha das três capitais para os eventos, nessa primeira edição, ocorreu ''''por pura essência''''. ''''O Rio é onde a bossa nasceu, São Paulo para onde ela foi e Brasília é a capital bossa nova de JK. É uma identificação histórica'''', explica. E continua: ''''Queremos inaugurar um novo momento, trazendo um festival anual da bossa nova para resgatar, de forma perene, um gênero musical importante e genuinamente brasileiro.'''' Já em 2009, o projeto passará a atingir mais outras três ou cinco cidades, além das contempladas na primeira edição.Mas o ápice do festival será mesmo em abril. Brasília, São Paulo e Rio receberão duas programações nesse período. Um deles pretende resgatar o espírito ''''banquinho e violão'''' de seu criador João Gilberto. ''''Nossa idéia é reproduzir os shows do Carnegie Hall, em Nova York'''', observa Brandão. O estudioso Zuza Homem de Mello será o responsável pela elaboração desse conceito junto ao público durante os shows.Além dos eventos gratuitos, o festival contempla três shows de um seleto grupo de artistas nos teatros municipais de São Paulo e do Rio, e no Nacional de Brasília. O elenco, no entanto, ainda está em definição. Johnny Alf será o grande homenageado, e pode ser que Gilberto Gil e Caetano Veloso revivam canções de Dorival Caymmi, e que João Gilberto cante a antológica Chega de Saudade. Os produtores garantem que as negociações estão em andamento para tornar realidade esse histórico encontro.Brandão é quem está com a responsabilidade de aguçar os egos dos artistas e convencê-los a subir no palco. Johnny Alf é presença quase garantida, mas um problema de saúde deixa a questão no ar. Caetano topou, mas perguntou sobre a participação de Gil. O cantor e ministro da Cultura disse que está dentro, mas, segundo Brandão, depende de acertos contratuais. A grande ambição, no entanto, é mesmo João Gilberto. Ele ainda não sinalizou sua participação. ''''O João é enigmático. Se ele vier, será surpresa para todo mundo, pois não contaremos'''', despista Soltz.O público não incluído no rol dos VIPs também poderá apreciar o festival, em uma apresentação open air nas três cidades, com duração de quatro horas e que reunirá a Turma da Bossa Nova misturada a artistas da nova geração. Em São Paulo, o show será no Parque do Ibirapuera, e em Brasília, na Esplanada dos Ministérios. No Rio, ocupará um lugar considerado, por alguns, o início do movimento: a Praia de Copacabana, em frente do apartamento de Nara, onde foram dedilhados muitos acordes, artistas se juntaram para longas reuniões musicais, e a bossa nova se propagou. Como disse certa vez o eterno Vinicius de Moraes, pode ser mesmo que a bossa nova tenha voltado mais uma vez para ficar por toda a vida.Serviço Anotações com Arte - 50 Anos de Bossa Nova. Livraria Cultura. Avenida Paulista, 2.073, Conjunto Nacional. Hoje, às 19 h

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