Novo drible de Diogo Nogueira

Sambista apresenta segundo CD com composições próprias e de parceiros

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

Quando garoto, Diogo Nogueira cantava em shows do pai, João Nogueira (1941-2000). Já adulto, fez seu nome nas casas da Lapa e virou notícia pela voz grave, semelhante à dele, e pelos sambas-enredo que emplacou na escola de coração dos dois, a Portela. Em 2007, gravou os bem-sucedidos CD e DVD ao vivo, em que cantava sucessos do repertório do "velho". Aos 28 anos, o sambista está lançando seu segundo disco, agora com composições próprias e de seus parceiros.Ouça trecho da faixa Sou Eu Tô Fazendo a Minha Parte (Flavinho Silva/Gilson Bernini) é a boa faixa-título, que está nas rádios. O CD é puxado também por outros dois sambas de respeito. Um deles é Sou Eu, parceria inédita de Chico Buarque e Ivan Lins, entregue a ele por Chico, que participou da gravação fazendo coro. Ivan não pôde ir porque estava viajando, mas escreveu um texto carinhoso em que se diz seu fã e o chama de "um dos mais talentosos intérpretes da nova geração de sambistas cariocas".O outro é Malandro É Malandro,Mané É Mané, de Neguinho da Beija-Flor, que ficou conhecida na voz de Bezerra da Silva e está na trilha de Caminho das Índias - é o tema do adorável cafajeste César, personagem de Antonio Calloni. A regravação foi pedida pela novelista Glória Perez.Sou Eu é parente de Sem Compromisso, de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro e gravada por Chico: "Na minha mão/ O coração balança/ Quando ela se lança/ No salão/ Pra esse, ela bamboleia/ Pra aquele, ela roda a saia/ Com outro ela se desfaz/ Da sandália."Diz-se que o samba iria entrar no disco novo de Simone, mas Chico preferiu dá-la a Diogo, a quem conhece desde criança (tal qual Ivan, portelense como os Nogueira). A faixa tem ainda Hamilton de Holanda tocando bandolim.Diogo lembra que o pai costumava levá-lo quando ia jogar bola no campo de Chico, no Recreio, zona oeste do Rio. Como as peladas eram seguidas de (muitas) garrafas de cerveja, por vezes João voltava para casa e esquecia o menino lá. Só se dava conta quando chegava em casa e a mulher perguntava pelo filho."Eu tinha uns 5 ou 6 anos. Chegava às 10 e ficava até 1 da manhã", recorda-se Diogo, que tentou carreira como jogador de futebol, mas parou por conta de uma lesão. Agora, Diogo é quem dá seus dribles no campo de Chico, três vezes por semana. É atacante e costuma jogar no time adversário ao do dono da bola, meia-atacante.Sou Eu é um dos sambas do disco que levantam qualquer um. Assim também são Tô Fazendo a Minha Parte, Presente de Deus (de Alceu Maia, o produtor, e Fred Camacho), Deus É Mais (Xande de Pilares/ Leandro Fab/ Ronaldo Barcellos), Tô te Querendo (Xande de Pilares/Magalha/Almir Guineto), Não Dá (de Wilson das Neves e Arlindo Cruz, que já havia registrado sua música), Mar do Amor (Ciraninho/ Alex Magno) e Malandro É Malandro, Mané É Mané. O CD tem também sambas para se dançar juntinho, como Vai Saber (André Renato/Ronaldo Barcellos), Amor Imperfeito (Leandro Fragonesi/Ciraninho) e Luz Para Brilhar Meu Caminho (Jorge David/Arlindo Cruz/José Franco Lattari). Chegou o Amor (Diogo/Rodrigo Leite/ Rodrigo Lopes) também é romântica. As outras duas de Diogo, Força Maior (com Ciraninho e Leandro Fragonesi) e Espelho da Alma (com Inácio Rios e Raphael Richaid) têm temática religiosa, sendo que nesta última ele contou com Junior, ídolo do Flamengo, tocando pandeiro. O time é a paixão de Diogo.Indicado para o Grammy Latino em 2008 na categoria revelação (com Roberta Sá), o sambista conta que não planejou a carreira. Em 2007, optou pelo formato CD/DVD ao vivo porque a EMI, gravadora na qual continua, gostou do show que ele fazia homenageando o pai (entravam algumas poucas composições próprias). Ingressou na ala de compositores a convite do mestre Monarco, e já em seu segundo ano ganhou (com os parceiros) o concurso, chegando à Sapucaí - o que se repetiu nos anos seguintes, 2008 e 2009.Hoje firmando sua identidade musical, ele concorda que a voz já não soa mais idêntica à do pai. "Não foi a voz que mudou, mas talvez a maneira de interpretar...", diz o jovem já apelidado de "príncipe do samba".Recém-chegado de shows nos Estados Unidos, Diogo - que apresenta a fina estampa no programa Samba na Gamboa, da TV Brasil -, lança o CD em turnê pelo País, que começa no dia 4 no Canecão. Depois ele passa por Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e Juiz de Fora. Nos dias 24 e 25, canta no Citibank Hall, em São Paulo.

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