Novíssimos baianos criam notável Moinho

Na quinta, diante da vibração do público do Palco Mundo, grupo americano tocou 45 minutos a mais

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

Um belo dia, há cerca de três anos, Emanuelle Araújo, Lan Lan e Toni Costa se reuniram como quem não queriam nada. Puxaram um samba da velha-guarda baiana aqui, outro da carioca ali, e notaram que desse trio poderia sair um caldo bem apimentado e com aquele punhado de catchup. A mistura deu tão certo que eles resolveram oficializar o encontro, chamando-o de Moinho, e produzir um álbum despretensioso, mas que já conquistou um público cativo - a faixa de abertura do CD de estréia, Esnoba, de Márcio Mello, não só é a música-tema do casal Rakelli (Ísis Valverde) e Robson (Marcelo Faria), na novela Beleza Pura, como foi a mais tocada nas rádios do Rio na semana passada. O DJ Theo Werneck também garante que por onde toca em São Paulo, o público clama pela canção cujo refrão diz assim: ''Só porque tenho por ela um apreço imenso/ Ela me esnoba, me esnoba, me esnoba.'' Ouça trecho de O Vento e o MoinhoPois bem, o Moinho vai fazer um único show de lançamento do álbum intitulado Hoje de Noite hoje, às 22 horas, no Tom Jazz. O título do CD vem do nome da canção presenteada ao grupo por Nando Reis. E ele não foi o único a abençoar esse encontro da vocalista, a percussionista e o guitarrista baianos, residentes no Rio. Ana Carolina compôs Doida de Varrer para o trio e Moraes Moreira sintetizou a fértil conexão Rio-Bahia em O Vento e o Moinho. ''Ele conta um pouco da nossa história na letra de O Vento e o Moinho. Da relação da Lapa com a Pelourinho, do encontro de três amigos, de um conto de amor e amizade'', resume a ex-vocalista da banda Eva, Emanuelle Araújo, que ainda divide o seu tempo com a novela A Favorita (ela faz o papel da prostituta Manu).A dona de uma bela e potente voz diz não ter uma canção preferida no álbum. Tem, isso sim, um carinho muito especial por Saudade da Bahia, de Dorival Caymmi, que o trio concordou em adicionar ao álbum por casar muito bem com a origem do Moinho. ''Caymmi, sem dúvida, foi nossa grande inspiração. E Saudade da Bahia tem um significado muito especial para mim: quando eu tinha uns 6, 7 anos, comecei a cantar com o meu pai, músico amador, justamente essa canção. Gravá-la nesse álbum foi uma emoção muito grande'', conta Emanuelle. A baiana radicada no Rio - sua ''segunda casa'' - desde 2005 não pode ter uma folguinha que corre para matar essa saudade da Bahia. ''Banho de mar tem de ser lá, bem quentinho. Não agüento essa água gelada do Rio'', brinca.Amigos do trio também marcaram presença em Hoje de Noite: Davi Moraes empunha sua guitarra no sambinha Carnaval, composição de San B, e a voz de Jussara Silveira colore ainda mais a última faixa, Xangô, de Toni Costa, Lan Lan e Mart''nália. Moraes Moreira e Nando Reis também oferecem sua graça em suas respectivas canções. O Moinho também incluiu no repertório Baleia da Sé, clássica canção de Riachão, um dos maiores nomes do samba baiano.Na capa do álbum aparece uma bela foto produzida por OEstudio, em que Emanuelle e Lan Lan amparam a moldura de um espelho que reflete a imagem de Toni Costa com um violão no colo. ''Prestamos essa homenagem ao Toni na capa pelo fato de ele ser o ''bofe'' da banda'', brinca Emanuelle, para logo emendar: ''Ele é o nosso maestro, a espinha dorsal das canções.'' Experimente entrar nesse Moinho.Serviço Banda Moinho. Tom Jazz(200 lug.). Avenida Angélica, 2.331, Higienópolis, telefone 3255-3635. Hoje, às 22 horas . Ingressos R$ 30

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