Novas regras

Li que a International Football Association Board, que dita as regras do futebol, se reuniu para mudar algumas. Entre as mudanças previstas estava o aumento do período de descanso entre um tempo e outro e o uso de um terceiro cartão pelo árbitro, além do amarelo e do vermelho, para sinalizar a expulsão temporária do jogador. O cartão, presumivelmente cor-de-rosa, diria ao jogador para ir sentar-se no banco, refletir sobre as suas faltas e só voltar ao campo quando estivesse arrependido. (Um quarto cartão, de cor preta, determinaria não só a expulsão do jogador mas o seu transporte, sob escolta, à delegacia mais próxima.) Não sei que outras medidas foram adotadas ou discutidas, mas imagino que tenham estudado uma regulamentação da paradinha na cobrança de pênaltis. Continuaria sendo permitida uma parada antes do chute mas nenhuma outra forma de desestabilização do goleiro, tais como parar, rebolar com as mãos nas cadeiras ou baixar o calção e mostrar a bunda. Eu teria algumas sugestões de mudanças para dar à Board. Bola no travessão deveria valer meio gol, bola na trave um quarto de gols e bola na rede pelo lado de fora um oitavo de gol. A área técnica em que os treinadores podem se mover durante o jogo deveria ser estendida a até alguns metros para dentro do campo, o que permitiria ao treinador se aproximar mais do árbitro quando quisesse questionar sua atuação, seu caráter ou os hábitos sexuais da sua mãe, evitando-se assim os mal-entendidos muitas vezes causados pela distância. O treinador seria proibido, no entanto, de aproveitar a expansão da sua área de ação para dar rasteiras no bandeirinha. Importantíssimo: algo deve ser feito sobre o que acontece na grande área nas cobranças de escanteios, que têm se transformado em constrangedores espetáculos de luxúria e degradação moral. Os jogadores se agarram, tentam se despir uns aos outros, chegam a dançar colados enquanto esperam a bola e todos se aproveitam do clima de devassidão e permissividade para fazer coisas que certamente não fariam em casa. Deveria haver uma espécie de fiscal de área para estas ocasiões, com poderes policiais, e auxiliares para ajudá-lo na tarefa de controlar o ambiente. Incluindo, talvez, um conselheiro sentimental. No mais, na minha opinião, deve ficar como está porque assim está bom.

, O Estadao de S.Paulo

05 Março 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.