Drew Angerer/ AFP
Drew Angerer/ AFP

Novas investigações confirmam Da Vinci como autor do quadro 'Salvator Mundi'

Conheça a história por trás da busca por autenticidade do quadro mais caro da história, que pertence à Arábia Saudita

Jean-Louis de La Vaissiere, AFP

14 de abril de 2021 | 08h58

O quadro Salvator Mundi foi pintado por Leonardo da Vinci ou não? Depois que um documentário francês questionou sua autoria, novas investigações reafirmam que o quadro mais caro da história foi obra do pintor italiano.

O documentário, transmitido nesta terça-feira, 13, na França, mas que teve seu conteúdo adiantado pela imprensa internacional, afirma que segundo o Museu do Louvre essa é uma obra do ateliê de Da Vinci com uma contribuição mínima do artista. 

No entanto, vários artigos publicados nos últimos dias afirmam o contrário, apoiando-se em documentos confidenciais.

A história começou quando a Arábia Saudita, proprietária da obra, pediu ao Louvre para analisar o quadro por conta de um eventual empréstimo para a retrospectiva sobre Da Vinci que o museu parisiense planejava entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020.

O Louvre abriga o C2RMF, um laboratório líder destinado a analisar obras de arte. 

Depois de examinar o Salvator Mundi durante três meses em 2018, "o Louvre e o C2RMF chegaram à conclusão contrária à do documentário: é efetivamente uma obra realizada por Leonardo, e apenas por ele", afirma o especialista Didier Rykner em La Tribune de l'Art, uma revista francesa de referência no assunto. 

"Esta informação foi comunicada aos sauditas em setembro de 2019", acrescenta este jornalista e especialista em história da arte.

Em uma matéria publicada na segunda-feira, 12, o jornal The New York Times explicou: "O Louvre certificou que a obra era de Leonardo, mas manteve em segredo essas conclusões depois de discutir com seus proprietários". 

Paralelamente, em um livro editado por Hazan e por Les Editions du Louvre, o diretor do museu Jean-Luc Martinez, e o curador da exposição sobre Da Vinci, Vincent Delieuvin, confirmaram a atribuição do quadro ao mestre do Renascimento italiano. 

No entanto, o livro foi retirado um dia depois de ser lançado à venda na livraria do museu, de acordo com Rykner, depois que a Arábia Saudita descartou definitivamente emprestar a obra. 

O diretor do documentário, Antoine Vitkine, deplorou "não ter conseguido acessar este documento, já que o Louvre negava sua existência", nem as "conclusões da análise" do quadro.

Somente agora, "no contexto da midiatização do meu documentário, o documento foi publicado na íntegra", afirma.

Rykner destaca também que a Arábia Saudita se negou a emprestar a obra devido ao fato de o Louvre não ter atendido às suas exigências. 

O Louvre rejeita confirmar ou desmentir essas informações, alegando a proibição de se pronunciar sobre a autenticidade de uma obra que não expõe em seu museu. 

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