Richard Lindner/Creative Commons
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Nova lei anti-LGBT+ na Hungria pode proibir obras de Shakespeare e Proust

Medida pode atingir também livros de Rimbaud, Thomas Mann e Safo

Rachel Savage, Reuters

18 de junho de 2021 | 07h22

As peças de Shakespeare e a poesia de Safo poderão ser banidas das salas de aula na Hungria e restritas nas livrarias do país, afirmaram editoras nesta quinta-feira,17, sob uma nova lei que proíbe a promoção da "homossexualidade ou da mudança de gênero" para menores de 18 anos. 

A associação que representa as editoras húngaras disse que não estava nem um pouco claro como a proibição, que foi aprovada na terça-feira como uma emenda adicional a uma lei que aumenta penas para crimes de pedofilia, irá funcionar. A proibição foi a mais recente medida do partido do governo, o nacionalista Fidesz, para apelar ao conservadorismo social no país, enquanto medidas anti-LGBT+ ganham apoio em países como a Rússia, assim como em alguns Estados norte-americanos.

Antes das eleições de 2022, o primeiro-ministro Viktor Orban proibiu que a população transgênero troque legalmente de gênero e bloqueou a adoção por casais do mesmo sexo.

"Não concordamos de maneira alguma com a mistura entre pedofilia, que é um crime, e orientação sexual, que é um direito humano fundamental", disse a Associação de Editoras e Livrarias da Hungria em uma nota enviada por e-mail.

"Várias obras primas da literatura húngara e mundial, incluindo muitos autores que hoje integram o currículo escolar do ensino médio podem ser proibidas pela lei."

Os poetas e amantes Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, assim como escritores renomados como Thomas Mann e Marcel Proust, poderiam ser vítimas da nova lei, segundo a associação.

As descrições do amor entre pessoas do mesmo sexo nos versos da poetisa da Grécia antiga Safo, assim como os contos de pessoas travestidas nas peças de Shakespeare também podem ser banidos das salas de aula, diz a nota.

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