Niemeyer abriga Niemeyer, agora no MAC Niterói

Exposição sobre o centenário do arquiteto está viajando por todos os espaços que ele criou

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

''''No Museu de Niterói, o local era tão bonito que foi fácil projetá-lo. Um apoio central, e a arquitetura surgiu à volta dele como uma flor.'''' Assim Oscar Niemeyer descreveu o processo de criação do Museu de Arte Contemporânea (MAC), inaugurado em 1996. Onze anos depois, a ''''flor'''' de Niterói receberá convidados para a abertura, hoje, de Oscar Niemeyer - Arquiteto Brasileiro Cidadão, exposição que homenageia seu centenário.Realizada pelo Instituto Tomie Ohtake, a mostra, que será aberta ao público amanhã, já passou por outros espaços projetados por Niemeyer. O ponto de partida, quatro meses atrás, foi Belo Horizonte, onde ocupou o Museu da Pampulha e o Palácio das Artes. Em seguida, passou pelo Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e a Marquise do Ibirapuera e a Sala Especial da Bienal de Arquitetura, em São Paulo. A próxima parada será o Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, em Brasília.''''Cada espaço tem uma história. Belo Horizonte tem um aspecto simbólico; foi superemocionante. Curitiba é o grande museu brasileiro. Em São Paulo ,foi genial'''', relembra o curador, Marcus Lontra Costa, que aguarda a presença do homenageado na inauguração. ''''No MAC, você habita uma arquitetura-escultura. A idéia de fazer uma exposição linear não se aplica.'''' Os enormes painéis com fotografias e projetos do mestre foram dispostos por ele em harmonia com a incrível vista de Niterói e da Baía de Guanabara, um bônus e tanto para quem for à exposição.Através das imagens, e de textos informativos, admiramos obras como os prédios de Brasília, o Copan, o Sambódromo do Rio, os projetos internacionais. Numa linha do tempo, os cem anos são contados desde o nascimento, no bairro carioca de Laranjeiras, a 15 de dezembro de 1907, ao ingresso na Escola Nacional de Belas Artes, o início da vida profissional, no escritório de Lúcio Costa, as diferentes fases de sua arquitetura. Os principais acontecimentos do século 20, entre guerras e movimentos artísticos, também fazem parte da cronologia.No primeiro andar, um Niemeyer menos conhecido, autor de projetos como os prédios da escola do Balé Bolshoi, em Joinville (Santa Catarina), de Itaipu Binacional, em Foz de Iguaçu (Paraná), e da Embaixada do Brasil em Cuba, em Havana, é apresentado ao público. ''''Uma coisa que eu quis fazer e que sei que ele também gosta é entender o espírito do artista. Ele busca o espetáculo visual, a valorização da surpresa, o encantamento que a arquitetura suscita'''', diz Marcus Lontra Costa. Trata-se da primeira exposição grande sobre Niemeyer no MAC - e mais um presente para Niterói.

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