Nicholas Sparks, um autor talhado para o ''amor romântico''

Escritor americano, cujos livros viraram filmes como Noites de Tormenta, fala ao Estado sobre sua fórmula literária de sucesso

Franthiesco Ballerini, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2008 | 00h00

Na última década, dos 11 romances que o escritor norte-americano Nicholas Sparks lançou, seis entraram para a lista dos livros mais vendidos do jornal The New York Times.De olho neste sucesso de vendas, Hollywood selou um contrato permanente de adaptação de seus livros e, neste mês, quando chega às livrarias seu mais recente romance, The Lucky One (Grand Central, importado, R$ 80), ele já está sendo trabalhado automaticamente para virar um longa-metragem, assim como aconteceu com Diário de Uma Paixão (The Notebook), estrelado por Ryan Gosling e Rachel McAdams e o recente Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe), estrelado por Richard Gere e Diane Lane e em cartaz até semanas atrás nos cinemas de São Paulo.Em entrevista exclusiva ao Estado, Nicholas Sparks diz por que seus livros são tão facilmente adaptáveis ao cinema, rebate as críticas de que é um autor comercial e fala de Paulo Coelho e Isabel Allende.Seus últimos livros viraram blockbusters e ajudaram a vender ainda mais livros. Você já disse que não escreve pensando num filme, mas como explica que eles saem do seu computador quase como roteiros prontos?Acho que sou sortudo. Creio que os elementos que facilitam as adaptações de meus livros são que eles são guiados por personagens, algo que atores adoram fazer, com dois ou três grandes personagens. E em grande parte, os sets são fáceis de encontrar e ficam muito bem fotograficamente. Sem falar que o grande número de leitores alavanca os filmes e vice-versa, como uma bola de neve. Além de The Lucky One, que estou lançando agora, outros dois livros, Dear John e outro que ainda estou escrevendo, já estão separados para virarem filmes.Alguns críticos torcem o nariz para seu estilo literário, dizendo ser repetitivo, preso a fórmulas e comercial demais. Como sente a reação da crítica literária aos seus livros nos Estados Unidos?O preconceito acontece de fato por aqui. É um território perigoso, cheio de lanças e flechas. Ganho críticas positivas às vezes e acho que os leitores sempre optam pela qualidade. E qualidade inclui a história e o estilo literário e foi mostrado ao longo das eras, de William Shakespeare a Stephen King.Richard Gere, Diane Lane, Kevin Costner, Robin Wright, Ryan Goslin e Rachel McAdams viraram rostos de seus personagens. Era o que você imaginava dos mesmos?Todos e nenhum ao mesmo tempo. Em outras palavras, eu nunca imaginei nenhum deles para o filme, mas todos fizeram excelentes trabalhos. Mas é impossível eleger qual se assemelha mais ao que pensei.Quais são os escritores que regem certa influência na sua carreira?Eu gosto de Paulo Coelho, mas você tem que entender que nos Estados Unidos, há pouquíssimos autores estrangeiros publicados regularmente. Eu gosto também da Isabel Allende e adoro A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Zafon.Você diz que é guiado pela frase "todas as grandes histórias de amor terminam em tragédia". Acha que é uma regra assim tão rígida?Tragédia e amor são inseparáveis, simples assim. Se não há amor, não há tragédia quando o outro morre. Estranhos morrem todos os dias no mundo e nós continuamos nossas vidas, mas quando acontece com alguém que amamos, nada no mundo faz mais sentido.Adaptações de livros costumam perder um pouco de sua profundidade nas telas, por isso os filmes são por vezes criticados. Acredita também na perda nesta transição?Há vários grandes filmes vindos de grandes livros. A dúvida é sempre saber se aquele livro é capaz de fornecer elementos para outra mídia, o cinema, capazes de transformá-lo num grande filme, como personagens fortes, cenários, coreografia, etc.Como vê a carreira de escritor hoje nos Estados Unidos, com a economia frágil e a crise propalada?Viver de escrever aqui é sempre um desafio, mas grandes escritores conseguem uma vida decente. Para escritores que são apenas bons é mais difícil. Francamente, eu ganho muito mais fazendo romances do que ganhando direitos de adaptação dos filmes.Acha que a internet está afetando a venda de livros nos Estados Unidos como alguns pesquisadores vêm alardeando?Não. Pessoas que amam livros como eu vão sempre comprar e ler livros, mesmo com a internet. E eu uso internet muito, muito mesmo.Como você acha que será lembrado no futuro: pelos livros que escreveu ou pelos filmes que, afinal, você ajudou a criar?Eu sinceramente acho que a combinação dos dois. Ambos - Diário de Uma Paixão e Um Amor para Recordar - são amplamente usados por professores nas escolas. Com o tempo, virarão clássicos norte-americanos. Isso é mais que o suficiente para mim.

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