Neneh Cherry engaja-se no cirKus, o novo trip hop

Cantora fala ao ''''Estado'''' de sua banda-projeto que mistura eletrônica, R&B, soul, reggae, hip-hop e retoma a melhor fase do gênero inventado nos anos 90

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 00h00

Após 10 anos sem lançar um disco, a cantora sueca Neneh Cherry - que ficou mundialmente conhecida com a canção 7 Seconds, gravada nos anos 90 com Youssou N''''Dour - volta ao País com um grupo que promete comer pelas beiradas no TIM Festival, o cirKus. É uma banda-projeto que mistura toda a malemolência soul de Neneh Cherry, além de um DJ-guitarrista, o multimídia Karmil (codinome de Matt Kent), o produtor Burt Ford e a cantora Lolita Moon. O cirKus vai tocar fogo no picadeiro com uma música que mistura batidas eletrônicas irresistíveis para pista com vocais etéreos, R&B, e muito reggae e hip-hop.É uma retomada da linha evolutiva do trip hop, gênero que surgiu no início dos anos 90 na Inglaterra e projetou artistas como Massive Attack, Portishead e Tricky, entre outros. ''''Não se trata de uma decisão consciente de fazer esse ou aquele tipo de som. Na união entre nossas diferentes formações, essa influência é inescapável: todos aqui crescemos ouvindo reggae. Quando adolescente, em Nova York, eu ouvia muito os grupos de soundsystem, de dub. É uma música que não está restrita a uma época, é sempre atual e influente'''', disse Neneh Cherry ontem pela manhã ao Estado, por telefone.O disco do cirKus, Laylow, é um trabalho envolvente, com as melodias e vocalizações típicas do trip hop, mas também com nervosismo e certo sarcasmo, como na faixa Dirty Ass. Neneh dá uma sonora gargalhada ao falar sobre o disco. ''''Seria uma coisa bacana você poder fazer uma música para dançar que não servisse só para balançar o rabo, mas que também fizesse pensar'''', diz a cantora. ''''Nós começamos meio que por acidente, mas de um jeito natural. E evoluímos de forma gradual, nos divertindo juntos, em pequenas turnês, pequenos shows, e a coisa foi crescendo e eis que estamos indo ao Brasil'''', diz ela. ''''Eu sempre sigo essa minha necessidade de fazer algo genuíno, gosto de sentir, de colocar a mão no meu coração e sentir orgulho do que estou fazendo, de saber que aquilo é o que me faz bem, me faz feliz''''.O DJ Karmil, segundo Neneh, é o cérebro musical do cirKus. Ele sofre desde a infância de uma doença rara, Síndrome de Fadiga Crônica, o que o fez passar a maior parte da vida na cama, ouvindo música. ''''É um gênio musical, e é quem compõe nossas músicas. Burt ajuda com as melodias, e todos colaboramos escrevendo canções. Karmil ainda sofre muito com sua doença, e costuma se tratar fumando marijuana. Está muito melhor agora.''''A cantora, irmã de Eagle-Eye Cherry e filha do jazzista Don Cherry, esteve aqui há dois anos como convidada do irmão. Veio há 10 anos para o extinto Free Jazz, e desde então tem feito raras aparições musicais. ''''Nunca me aposentei. Tenho feito trabalhos em todo o mundo, com a garotada do hip-hop em Londres, com outro tipo de músicos. É claro que eu gostei quando músicas minhas como Buffalo Stance e 7 Seconds ficaram conhecidas em todo o planeta. Mas nunca fiz música para ser famosa ou ser tratada como celebridade. Minha intenção é sempre crescer, chegar ao outro nível. O sucesso às vezes é parte da jornada, às vezes não. O essencial é o prazer de tocar para uma platéia, ver seus rostos. É tudo que anseio ver no Brasil.''''

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