Natureza, cultura e interação na fazenda Serrinha

Com curadoria do artista plástico Fábio Delduque, evento vai até o fim do mês

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

Natureza dá arte. Esse é o tema do 7º Festival de Arte Serrinha, que começou ontem em Bragança Paulista, com uma oficina do artista plástico Dudi Maia Rosa. Até o dia 27, o evento vai ter oficinas e palestras de diversas modalidades - fotografia, design, gastronomia, artes plásticas -, shows musicais nos sábados (Andréia Dias, Moska, Cérebro Eletrônico e Raquel Coutinho), instalações e sessões de cinema, além do projeto social que leva oficinas gratuitas a outros bairros da cidade.Com curadoria do artista plástico Fábio Delduque o festival ocupa a bela fazenda Serrinha, no bairro de mesmo nome em Bragança, cujo ambiente é bastante propício ao intercâmbio entre artistas, alunos e visitantes. ''A gente tem a parte educativa do festival, mas tem uma coisa rara entre os artistas, que é esse encontro entre as artes. Ainda mais ali, distanciado do mundo, naquele estado imersivo, convivendo com as pessoas o tempo todo, discutindo e produzindo arte. Tem uma situação muito favorável'', diz Delduque.Muitos artistas se tornaram parceiros de Delduque. A cantora Ná Ozzetti, por exemplo, já levou o percussionista Naná Vasconcelos para o evento e agora contribuiu para a inclusão da poeta e letrista Alice Ruiz. Nesta edição ela realiza uma oficina de literatura sobre técnica e prática de haicai, entre os dias 18 e 20. ''O projeto está em seu sétimo ano, mas com certeza tem uma vida longa. Cada vez mais a gente tem adesão dos artistas, retorno de inscrição de alunos. Já se foi o tempo em que a gente ficava batalhando aluno, hoje tem fila de espera para as oficinas'', conta o curador.Dentro das propostas mais diversas, Delduque diz que deixa os artistas que vão dar aula à vontade para pensarem seus métodos de trabalho. ''Quero que cada um faça uma coisa e que seja totalmente fora dos padrões das universidades.'' Este ano, por exemplo, o ator Guilherme Leme vai discutir as diferenças entre performance e happening, promovendo a inter-relação de artes plásticas com artes cênicas.Ele também quer interagir com outras oficinas, como as de música (a mineira Raquel Coutinho e o capixaba Fabio Carvalho desenvolvem um trabalho sobre tambor mineiro e congo) e a de Bené Fonteles (A Casa dos Sentidos - Sensibilização e Ocupação de um Espaço). Patrícia Palumbo e Zé Celso Martinez Corrêa estão entre os palestrantes. ''O propósito do festival é trabalhar com arte contemporânea brasileira de todas as áreas. É o que norteia mais do que qualquer tema.'' Os temas existem para dar um toque poético.

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