Ryan Pfluger/The New York Times
Ryan Pfluger/The New York Times

National Gallery adia mostra de Chuck Close, acusado de conduta sexual imprópria

Artista está sendo acusado por várias mulheres

Robin Pogrebin e Jennifer Schuessler, THE NEW YORK TIMES

29 Janeiro 2018 | 11h57

Em 2014, a Smithsonian’s National Portrait Gallery, no texto que acompanhou uma imagem do pugilista Floyd Mayweather Jr, ressaltou que o retratado “foi acusado de violência doméstica em várias ocasiões e sofreu punições que foram de prestação de serviços comunitários até o encarceramento”.

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Essa ressalva é comum quando se fala de personagens controversos em arte, mas muito mais rara quando se refere aos próprios artistas. Nomes como Picasso ou Schiele, conhecidos por maltratar mulheres, têm suas obras exibidas em museus sem nenhum asterisco condicionador

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Agora, porém, museus de todo o mundo começaram a analisar as implicações de uma decisão da National Gallery of Art, de Washington, de adiar por prazo indefinido uma exposição de Chuck Close devido às acusações de assédio sexual contra o artista por modelos que posaram ou posariam para ele. Close afirmou que as acusações são “mentiras” e queixou-se de estar sendo “crucificado”

A notícia do adiamento, divulgada na quinta, levanta incômodas questões sobre o que fazer com pinturas e fotografias de autoria de Close pertencentes a museus como Metropolitan Museum of Art, de Nova York, Tate, de Londres, e Pompidou, de Paris, além de obras do autor em poder de colecionadores privados. Deixa dúvidas também quanto a haver eventualmente necessidade de se revisitar ou recontextualizar trabalhos de outros artistas acusados de condutas discutíveis.

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Trata-se de um momento provocativo para a arte mundial, com o debate sobre separação entre trabalho artístico e conduta pessoal podendo envolver grandes artistas visuais de diferentes eras. É também um momento difícil para as instituições que há muito colecionam e exibem peças desses artistas.

Para Kim Sajet, diretora da Portrait Gallery, que possuiu um grande acervo de Chuck Close, “não dá para falar em arte do retrato nos Estados Unidos sem falar em Chuck Close”. Ela acrescentou: “Há muitos grandes artistas que estão longe de ser pessoas admiráveis”.

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A maioria dos curadores e diretores de museus considera que tomar decisões artísticas com base em comportamento pessoal é sempre um caminho perigoso. Todos os responsáveis por museus entrevistados afirmaram que vão continuar mantendo e exibindo obras de Close, entre outras razões porque ele não foi denunciado oficialmente por nenhum crime e as acusações não foram comprovadas num tribunal.

“Será que vamos ter de avaliar o comportamento pessoal de cada artista?”, perguntou Jock Reynolds, diretor da Galeria de Arte da Universidade Yale, instituição que também tem trabalhos de Close. “Pablo Picasso foi um dos artistas do século 20 que mais maltrataram mulheres. Devemos então retirar suas obras das galerias?”, perguntou, acrescentando: “Num dado momento, teremos que nos perguntar se a arte, isolada do autor, vai se manter como algo que precisa ser visto”. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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