Natal que é Natal não fica sem balé

No 25.º ano de seu Quebra-Nozes, Cisne Negro põe no palco jovens aprendizes

Patrícia Villalba, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

Meninas de coque perfeito e roupas cor-de-rosa se amontoavam na escada de acesso ao estúdio principal de ensaios da companhia de balé Cisne Negro na segunda-feira. Elas saltitavam de felicidade por terem sido escolhidas pela diretora artística Hulda Bittencourt para estar ao lado das "bailarinas de verdade" em O Quebra-Nozes. O espetáculo montado pela coordenadora artística Hulda Bittencourt e sua equipe estréia pelo 25º ano hoje no Teatro Alfa.Maria Luisa Vignerom, de 10 anos, observa a solista Victoria Oggiam repassando seus esquetes. Aluna de balé desde os 3 anos, ela pretende refazer os passos que levaram Victoria à posição de solista. Victoria, hoje com 19 anos, começou os estudos no Cisne Negro aos 4 e faz parte do elenco de O Quebra-Nozes desde 1998. Contratada pela companhia Cisne Negro, a bailarina passa o ano todo envolvida em peças contemporâneas, mas em dezembro, lá está ela como Clara ou Fada Açucarada - e é como uma celebração. "Estou no palco desde criança, e me lembro como era mágico estar num espetáculo como esse", diz ela. "É um espetáculo longo, de coreografias muito técnicas, mas é muito mágico. Gosto muito do Natal e por isso acho que é tão especial."Com música composta por Tchaikovsky a partir de um conto de Hoffman, a história fantástica da menina Clara e sua visita ao Reino dos Doces é encenada desde 1892, e se tornou uma tradição natalina que agrada a todo tipo de público. É uma história vista por platéias de todo o mundo nesta época do ano - algumas temporadas chegam a ficar em cartaz até janeiro, tamanho é o sucesso. A montagem do Cisne Negro leva 120 bailarinos ao palco, que ensaiam durante seis meses. "Tem criança que espera o ano todo para ver o Rei Rato. Nessa época do ano os corações estão mais sensíveis, as pessoas querem se emocionar", observa Hulda.No interior da companhia e escola de balé Cisne Negro, o espetáculo se tornou ação família. Daniela Bittencourt, filha de Hulda, é diretora de ensaios. Rafaela, de 8 anos, filha de Daniela, faz um dos papéis destinados às pequenas bailarinas - crianças do Prólogo, flocos de neve, etc. Há ainda bailarinas que são filhas de bailarinas que se apresentaram nas primeiras edições e bailarinas que estão no elenco desde sempre.Carolina Turri começou no Cisne Negro há 27 anos, com 3 de idade. Seguia conselho médico para desentortar as pernas, e se tornou bailarina profissional. "Eu vejo as meninas pequenas aqui e me lembro de quando ficava olhando para as bailarinas adultas pensando ?será que um dia vou ser Rainha das Neves?? De repente, muito rápido, aqui estou eu", espanta-se ela. A mistura entre profissionais e alunos é fundamental na formação dos bailarinos, porque aprofunda o senso de responsabilidade. Neste ano, a companhia recebe como convidados os solistas Thiago Soares (primeiro-bailarino do Royal Ballet de Londres) e Marcelo Gomes (primeiro-bailarino do American Ballet Theatre de Nova York). Grande estrela, Thiago foi contratado para seis apresentações, para protagonizar o momento mais esperado da peça, o Grand Pas-de-Deux, quando Clara dança com seu príncipe. Na semana que vem, ele já estará em Londres para a temporada de O Quebra-Nozes do Royal. Para ele, não deixa de ser uma celebração apresentar-se no Brasil nesta época. "Dançar aqui é uma maneira de devolver o que aprendi no Brasil. Não adianta você ficar famoso se não puder contar para a mãe!", brinca. "E para mim é importante deixar meu nome na história do Cisne Negro." ServiçoO Quebra-Nozes. Teatro Alfa (1.100 lug.). R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. 2.ª a 6.ª, 21 h; sáb., 17 h e 21 h; dom., 16 h e 19 h. R$ 40 a R$ 80. Até 21/12

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