Nas telas de Londres, o Brasil para inglês ver durante um mês

São mais de 40 longas, curtas, ficções, documentários mais debates e seminários

Flavia Guerra, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

O cartaz da 3º Festival do Barbican, o Cinema of Brasil, ilustra bem a tarefa de quem promove a cultura brasileira no exterior. A primeira sugestão da equipe foi uma foto de um garoto dançando em frente de uma favela carioca. Como o tema é Urban Tales, ou seja, as Perspectivas Urbanas, a curadora brasileira Adriana Rouanet sutilmente pediu ao pessoal do Barbican para mudar a foto. "É maravilhosa, mas não queríamos mais ressaltar só a favela. A favela faz parte de nós. Mas somos um país muito mais complexo", conta Adriana, que, em contrapartida, sugeriu uma imagem de São Paulo em O Signo da Cidade.

"Não adiantou. A equipe do Barbican, que é ótima e está fazendo um belo trabalho, achou que podia ser qualquer grande cidade do mundo." A contraproposta do Barbican? Uma foto mais ?geral? ainda, de Alice Braga em Cidade Baixa. "Esta sim. Todos concordaram. É uma que poderia ser de qualquer lugar do mundo, mas é Salvador. E é este caráter tão local e, ao mesmo tempo, internacional que o Brasil tem que devemos reforçar", diz a curadora.

Oportunidade não vai faltar para que o público londrino descubra que o cinema brasileiro vai muito além de favela e violência. De hoje até 8 de outubro, Londres vai se transformar em uma verdadeira Central do Brasil. Serão dois festivais, mais de 40 produções, entre longas, curtas, ficções e documentários; dezenas de convidados, debates, seminários.

O Cinema of Brasil já ganhou a característica de todo ano propor um novo tema, desta vez os Urban Tales serão o tema dos 11 longas e quatro documentários. Vale lembrar que o Cinema of Brasil para, de 17 a 20 de setembro, quando ocorre o 1º Cine Fest Brasil Londres, no Riverside Studios. Ao contrário do Barbican, o Cine Fest Brasil não tem um tema específico. A tônica do novo é o ineditismo. Quase todos os filmes do Cine Fest fazem sua première no Reino Unido e na Europa.

Seja no Riverside, seja no Barbican, a toada segue pela variedade, provando para o público inglês que o cinema nacional vai muito além das últimas produções que estrearam no país, como Tropa de Elite e Linha de Passe. Neste mês, Terra Vermelha, do ítalo-chileno Marco Becchis, chega às salas comerciais. Esperado mesmo está sendo Jean Charles, que integra a mostra competitiva do Festival de Toronto nesta semana, mas ainda não tem data de estreia na Europa. Selton ?Jean Charles? Mello, aliás, integra a seleção do Barbican com dois filmes. Como ator, no dia 13, com Meu Nome Não É Johnny, e como diretor estreante em 1º de outubro com Feliz Natal, seguido de debate com a atriz Graziela Moretto.

Entre os convidados do Cinema of Brasil, estão os diretores Jorge Furtado, Evaldo Mocarzel (Jardim Ângela), José Eduardo Belmonte (Se Nada Mais Der Certo e A Concepção), o artista Vik Muniz, e os atores e diretores Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli (O Signo da Cidade). O diretor Bruno Barreto (Última Parada 174), os atores Murilo Rosa (Orquestra dos Meninos) e Glória Pires (Se Eu Fosse Você 2) serão atração do Cine Fest.

Mais do que exibição, nesta 3ª edição, o Cinema of Brasil quer ressaltar a multiplicidade de temas que o Brasil propões à plateia europeia.

O Barbican também abriga o 1º Simpósio Transnational Brazilian Cinema que vai discutir futuros acordos de coprodução entre Brasil e Inglaterra, ressaltar a atual vitalidade do cinema nacional, e analisar as perspectivas internacionais para a exportação. Para isso, executivos e analistas de mercado e especialistas em financiamento cultural, gestores públicos e a comunidade acadêmica brasileira e britânica vão se reunir dia 3 de outubro. "Está mais do que na hora de juntarmos forças", diz Adriana.

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