Nas cordas de um caipira do mundo

Maestro de Maria Bethânia há 25 anos, Jaime Alem lança CD no Rio em espetáculo com a presença da cantora

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

Hoje à noite, quando subir ao palco do teatro Oi Casa Grande, no Rio, Jaime Alem vai se encaminhar para o centro dele, e não para um canto. Maestro de Maria Bethânia há 25 anos, responsável pela produção de seus discos, o músico vai lançar Dez Cordas do Brasil. Com Bethânia, além de fazer os arranjos, ele toca violão, viola e bandolim. Em seu CD, a estrela é a viola caipira, companhia desde a adolescência em Jacareí (SP) - ele trocou a cidade pelo Rio aos 17 anos, há quatro décadas, como músico de orquestra de baile.Bethânia, que participará do show (assim como a mulher, Nair Cândia, com quem ele gravou dois discos nos anos 70), mandou um bonito depoimento ao Estado sobre o CD: "Afinal, Jaime Alem faz um disco seu como músico, um disco extremamente sensível, verdadeiro e com certamente sua mais forte raiz: a moda de viola, a música brasileira em uma de suas maiores expressões." Diz ainda: "Este disco é um primor no meu fraquíssimo entender, mas digo isso com a autoridade de quem sente o Brasil e sua abrangente e extraordinária música a cada minuto de cada dia da minha vida." As composições, todas de Alem, têm inspiração no interior do Brasil (Moenda, Costeira do Rio, Sonata Agreste, Cururu É Bom), nos violeiros nordestinos que via tocar na Estação da Luz (Moda de Uma Corda Só, Moeda Pau, Corda), em São Paulo. Na faixa Ave Maria das Violas, ele toca e canta. O CD nasceu de uma junção de muitos desejos. "Bethânia começou a me incentivar a voltar a tocar viola, nas serestas em Salvador e em Santo Amaro. Aí o (produtor) Chico Adnet me encomendou peças de viola. Fui para o estúdio em novembro e a inspiração baixou. Ficava cinco, seis horas por dia criando e gravando. Em janeiro, Chico disse que já dava um CD", Alem se recorda. "É como aquela frase que diz: ?A vida é o que acontece quando você está fazendo outros planos?."O músico sempre teve carinho especial pelo instrumento de dez cordas. Só que o deixou de lado ao longo dos anos - passou a sacar viola só entre amigos e parentes. A música caipira (Inezita Barroso, Pena Branca e Xavantinho, Tião Carreiro, Rolando Boldrin) o emociona muito, o faz chorar. Adnet escreveu no encarte do CD que "ser caipira é trazer no sangue as imagens de beira de rio, os sabores da roça, cheiro de lenha e capim. Jaime Alem é um caipira do mundo". Alem parece concordar: "Estou reencontrando a minha história, que é a de quem vem do interior para a cidade grande."Ele já produziu Mart?nália e Sueli Costa, entre outros artistas. Mas, pelo tempo de dedicação e a qualidade do trabalho, é mesmo pela parceria com a exigente Bethânia que é associado. Ela o descreve como "um dos grandes maestros da Música Popular Brasileira". "Sinto nele grande alegria quando sugiro ou lhe peço alguma coisa, ideia ou expressão musical, ligada à moda de viola." O CD sai pelo selo Repique Musical, de Adnet, que assim faz sua estreia. O show de hoje será às 21 horas e o Oi Casa Grande fica na Av. Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon. Além de Bethânia e de Nair, participa o percussionista Marcelo Costa.

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