''''Não falo de humor na TV, não sou analista''''

Jô Soares, com quase 50 anos de carreira, evita o tema dos humorísticos e diz que ainda gosta muito de fazer entrevistas

Entrevista com

Leila Reis, leilareis@terra.com.br, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 00h00

No ano que vem, Jô Soares completa 50 anos de carreira e 20 de talk-show. Ele, que às vezes fala mais do que seu entrevistado para ''''não deixar a peteca cair'''', foi econômico nesta entrevista ao Caderno 2. Depois de um dia exaustivo de gravações, o showman disse que cada vez mais gosta de entrevistar, que só faz os espetáculos que gosta (''''Shakespeare é mais teatrão do que os outros'''') e se recusa a dar opinião sobre a televisão: ''''Eu me ocupo em fazer, nunca em analisar.''''Quem você acabou de entrevistar?Hoje foi dia das meninas do Jô discutirem política.Entrevistado bom é a aquele que...Fala.O mala é o que...Não fala e me obriga a falar mais do que ele, porque não posso deixar a peteca cair. Acontece de o sujeito tratar de um assunto interessante na pré-entrevista e quando senta na poltrona e quando faço a pergunta, ele dizer que não sabe do que estou falando.Se a entrevista não rende, você a descarta?Nunca, mesmo que não valha nada vai ao ar, porque acho falta de respeito não exibir. No caso do jornal, quando uma entrevista está muito comprida e se corta, é edição. Quando se faz isso na TV, é censura. Por isso, se formos cortar algum trecho, conversamos com o entrevistado.As pessoas continuam te entregando pautas em velórios para comparecer a seu programa?A mim não, mas à Anne Porlan (diretora do programa) sim, em velório, enterro, batizado... Aproveito para dizer o seguinte: não adianta deixar pautas na portaria do meu prédio, porque todas as sugestões entram na fila, mesmo as que eu levo. Afinal, são 500 por semana.São quase 20 anos de conversa diante das câmeras. Entrevistar pessoas de toda espécie ainda satisfaz?Cada vez mais, porque adoro bater papo. A maior forma de diversão que existe é uma conversa animada pela curiosidade. Aliás, a curiosidade é que move a humanidade. Adoro conversar, tanto que continuo fazendo espetáculos-solo em teatro.Você tem alguma estréia prevista?O último foi Na Mira do Gordo, agora estou lançando o CD Remix em Pessoa, com 12 faixas, em que digo textos de Fernando Pessoa (que tem um humor fabuloso) ao som da seleção musical de Billy Forguieri, que era da Blitz. Mais tarde farei um lançamento no teatro da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional.Que Brasil você desvenda no talk-show de toda noite?O Brasil em que vivo e que muda a cada dia, graças a Deus. O programa é jornalístico à medida que mostra esse Brasil dinâmico.De todos os trabalhos que você fez na vida, qual o que mais o recompensou?O de amanhã e o que eu estou fazendo no momento.E qual foi a maior roubada?Nestes 49 anos de profissão, já passei por pequenas roubadas, mas nada de que me lembre.Você dirige de Shakespeare (Ricardo III) ao teatrão do Juca de Oliveira (Às Favas com os Escrúpulos). Por que você é tão flexível em suas escolhas teatrais?Eu não rotulo os espetáculos. Às vezes, Shakespeare é mais teatrão do que todos, Ricardo III é teatrão. A partir do momento que vende ingresso, todo tipo de teatro é comercial. Só faço o teatro que eu gosto: já fiz Nelson Rodrigues, Eugene O''''Neill, Shakespeare e vou fazer Edward Albee, A Cabra ou Quem é Silvia? no ano que vem.O que mudou no humor da TV desde Ceará contra 007?Não sei, não falo sobre o humor na TV, não é minha função analisar o trabalho dos colegas. Não sou analista, sou artista. E o artista expressa a crítica por meio do seu trabalho. Então, eu me ocupo em fazer, nunca em analisar.

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