Não Estou Lá revela as diversas personalidades de Bob Dylan

O desafio do cineasta Todd Haynes, em Não Estou Lá (destaque do Telecine Cult, às 18 horas), era apresentar múltiplos retratos para traçar o perfil de um artista que é único e múltiplo, Bob Dylan. E uma das figuras convidadas para representar o músico em um determinado momento de sua vida, a atriz Cate Blanchett, foi tão verossímil que levou o prêmio de atuação feminina no Festival de Veneza.Se a originalidade da forma incentivou discussões, o resultado revelou-se positivo. Ao acompanhar a trajetória do músico desde sua infância, Haynes desenvolve uma espécie de falso documentário. Com isso, pintou um retrato muito pessoal de Dylan, agradando em cheio aos fãs, mas não fornecendo maiores informações aos que não são tão próximos.Claro que a opção por vários atores interpretando o mesmo personagem é um recurso que permite conhecer as diversas personalidades de Dylan, tornando-o complexo, como realmente é. E mesmo aqueles que se ressentem de mais detalhes não podem reclamar da trilha sonora, em que letras servem como roteiro intelectual e sentimental do artista. Uma curiosidade: Dylan gostou do projeto, mas não ajudou o cineasta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.