''Não canto mais pelo dinheiro'', diz Iglesias

Ele volta ao País em turnê e diz que crise financeira é resultado de corrupção

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2008 | 00h00

Um dos maiores artistas populares do mundo, cerca de 300 milhões de discos vendidos planeta afora, o madrilenho Julio Iglesias volta ao Brasil para cantar num intervalo de menos de sete meses, coisa rara para quem tem uma agenda como a dele. Ele esteve no Brasil em março, e cantou do extremo sul ao Amazonas, onde - lembra com orgulho - foi saudado por indígenas no meio da selva. É um homem ocupado, com uma agenda até diplomática a cumprir. Há alguns meses, por exemplo, ele recebeu a Legião de Honra do governo francês, sendo chamado de "francês de coração" pelo presidente Nicolas Sarkozy no Palácio do Eliseu, em Paris.Será que Iglesias está cantando mais nos mesmos lugares porque também se ressente da crise no mercado de discos? Not at all, diz o cantor, em entrevista ao Estado por telefone. "Há muito tempo não estou mais nessa competição de venda de discos. Meu dinheiro não vem daí, não ganho dinheiro cantando, mas com os meus negócios", diz dom Julio, o cantor que quase virou goleiro do Real Madrid (chegou a ser juvenil do time). "Eu não canto mais por dinheiro. Eu canto porque essa é minha segunda vida, meu coração está na música. Se não canto, eu morro. O que me desafia hoje é seguir cantando. Eu não iria ao Brasil somente pelo dinheiro, porque seria muito mais fácil e rentável fazer um show aqui mesmo na Europa, onde pagam mais e é mais perto. Vou porque não tenho idade no Brasil. Os anos não passam para mim aí no seu país. E eu canto num idioma que é familiar a vocês, e vocês falam num idioma que me é familiar. A mim não custa cantar ou viver no Brasil", afirmou.A turnê de Julio Iglesias que volta a São Paulo hoje, Julio Iglesias en Concierto, começou na África do Sul em março e depois do Brasil ainda passa pela Austrália e Nova Zelândia, terminando em março. No palco, ele canta clássicos de sua carreira, como Manuela, Me Olvidé de Vivir, Abrázame, Um Canto a Galicia, Hey! e El Amor, entre outras. O mais recente trabalho de Iglesias é um disco em francês, Quelque Chose de France (2007), e é provável que cante algo também desse álbum. E alguma surpresa de suas amizades e parcerias brasileiras. "Adoro Roberto Carlos. E Milton Nascimento, Jobim, Vinicius, Elis, Simone, Zezé di Camargo."Lamentou a saída de Robinho do seu time do coração, o Real Madrid. "Ali foi um desentendimento com diretores, não foi falta de amor pelo time. É um dos cinco maiores jogadores do mundo", disse. Iglesias deixou o futebol quando começou a fazer direito na Universidade Complutense de Madri. Como um cantor de grande sucesso no mundo todo que ganhou muito dinheiro e que soube aplicá-lo bem, Julio Iglesias pode falar da crise financeira internacional com alguma propriedade. "Não há confusão no mercado financeiro internacional. O que há é corrupção. Eles abusaram como sempre. É uma corrupção legalizada pelas Bolsas de Valores universais. Não é justo. Sempre foi assim: os pobres ficando mais pobres e os ricos. Há grandes injustiças nessa prática. O problema é de consciência. Não sou socialista, sou um capitalista. A competitividade tem de existir sempre, mas não a corrupção. Pode-se utilizar o dinheiro, mas não abusar dele", considerou o cantor.Julio Iglesias completou 65 anos em 23 de setembro, e diz que a idade não está pesando. Absolutamente. "Até os 40 anos, eu comemorei aniversários. Depois parei de contar. Eu me oriento segundo as nuvens, segundo o tempo. E não olho para trás nunca", afirmou. Vive um sólido casamento com Miranda, com quem teve há um ano e meio mais um filho, o quinto, Guillermo. "São filhos preciosos, maravilhosos. É pena que não pude trazer o pequeno, mas é muita agitação para ele." ServiçoJulio Iglesias. Via Funchal (3.010 lug.). Rua Funchal, 65, V. Olímpia, 3188-4148. Hoje e amanhã, 21h30. R$ 200/R$ 800

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