Nada. Vamos Ver como acontece a transgressão

Grupo de pesquisa do coreógrafo e bailarino Gustavo Ciríaco propõe partilha entre espectadores e artistas

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2009 | 00h00

O que vai acontecer ali não é exatamente uma inversão de papéis entre público e artistas, mesmo porque isso significaria a atuação dos espectadores em uma performance improvisada e, provavelmente, sem qualidade. A proposta do grupo de pesquisa coordenado pelo bailarino e coreógrafo carioca Gustavo Ciríaco é deslocar as regras comuns às salas de espetáculo, do comportamento esperado de ambas as partes à apresentação que sempre deve conter um começo, um meio e um fim."Explicitamos o jogo a fim de decifrar até que ponto a expectativa do público também é responsável pela criação da performance dos bailarinos, pelo que está sendo assistido", diz Ciríaco. O espetáculo Nada.Vamos Ver, que estreia hoje no Sesc Avenida Paulista, começou a se desenvolver no fim de 2007, após a leitura do livro Exhausting Dance, de Andre Lepecki. A obra conta a história de um aluno que pede a seu mestre que escreva um manual da dança para que assim ele possa, mesmo a distância, seguir os seus passos na criação de uma coreografia.A partir daí, Ciríaco passou a trabalhar sobre o conjunto de elementos que podem ser utilizados em um quarto vazio - que, aos poucos, vai sendo preenchido também por regras convencionais que engessam a comunicabilidade entre público e artista. Sem revelar muito das surpresas que devem acontecer durante os 50 minutos a 1h10 de peça, o coreógrafo só adianta como vai ilustrar, de forma literal, a proposta de troca de lugares entre seus dois objetos de pesquisa: os espectadores serão conduzidos a cadeiras colocadas em cima do palco, enquanto a companhia vai se movimentar por todo o espaço.A origem do título do espetáculo vem de um desenho de Goya, cujo nome também propõe ambiguidade por causa da pontuação, Nada. Ello Dirá. ServiçoNada. Vamos Ver. Sesc Avenida Paulista (50 lug.). Av. Paulista, 119, tel. 3179-3700. Hoje, sáb. e dom. às 19 h. R$ 20. Até 28/2

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