CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Na última entrevista de Tomie, irreverência e afeto de uma artista

Em seu ateliê, pintora e escultora se encontrou com a cineasta Tizuka Yamasaki em dezembro para falar de documentário

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 19h34

 Na última entrevista concedida ao Caderno 2, em dezembro, Tomie Ohtake recebeu a reportagem do Estado em sua casa e ateliê no bairro do Campo Belo, em São Paulo. A cineasta Tizuka Yamasaki chegou pouco depois ao local porque as duas contariam sobre a experiência de realizar o documentário Tomie, lançado no fim de 2014 – mas a pintora, escultora e gravadora quis falar pouco. Era uma característica da artista expressar-se por concisas frases, ditas em português, com certa dificuldade – e terminá-las sempre sorrindo.


Tomie parecia mais introspectiva, mas dizia: “muito contente”. Naquele dia, telas de uma nova série estavam encostadas às paredes do luminoso e arejado espaço de criação projetado pelo filho e arquiteto Ruy Ohtake. Aos 101 anos, Tomie estava experimentando texturas. “Estou trabalhando agora mesmo. Começou com o branco, mas vou colocar cor”, explicou a pintora. Uma das obras já tinha, de fato, um amarelo vibrante.

Tizuka Yamasaki tomou as rédeas da conversa. Contou, por exemplo, que ainda não conhecia Tomie intimamente até fazer o documentário e que logo de início, a artista a surpreendeu por sua irreverência. Lembrou ainda que no dia em que filmariam a pintora nas docas de Santos, numa referência à sua chegada ao Brasil, na década de 1930, a diretora chegou a reservar um quarto de hotel para que a artista descansasse no horário do almoço. “Mas a Tomie se negou, disse que não precisava, e foi comer com a equipe toda”, afirmou.

Apesar das poucas palavras, a pintora sempre gostou de estar entre as pessoas. Expressar com o mínimo tinha a ver com a simplicidade dos gigantes. Certa vez, Tomie explicou como trabalhava. “Primeiro vem a forma: rabisco, desenho, mas ela já está lá”, explicou, completando que ela própria tinha uma teoria: “Quando a gente gosta, é porque já está dentro de nós”. Como um ensinamento, a frase que escutei em 2005 ecoa até hoje.

Tudo o que sabemos sobre:
Tomie OhtakeTizuka YamasakiArtes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.