Na Globo, policiais vistos por policiais

Em Força Tarefa, Murilo Benício é um tenente da corregedoria que caça os próprios colegas corruptos

Patrícia Villalba, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

Foi da sua experiência como repórter da área policial que o escritor e roteirista Marçal Aquino (de Os Matadores), tirou a ideia do seriado Força Tarefa, que estreia no dia 16, na Globo. "Numa das minhas rondas pela madrugada de São Paulo, pedi informações para dois policiais militares que se mostraram desconfortáveis com a abordagem", lembra ele. "Eu e o motorista estávamos de jaquetas de couro, num carro sem logotipo do jornal. Eles pensaram que nós éramos da corregedoria, a ?polícia que investiga polícia?. Aquilo nunca saiu da minha cabeça."Aquino divide a tarefa de escrever os 12 episódios com o também escritor e roteirista Fernando Bonassi, em São Paulo, ao mesmo tempo em que o diretor José Alvarenga Jr comanda as filmagens, no Rio. "Toda invasão é um balé. Vocês vão dançar balé", grita o diretor no set, um galpão abandonado, sufocante e cheio de mosquitos em Curicica, gravação acompanhada com exclusividade pelo Estado. Como o protagonista Wilson, tenente dedicado da corregedoria, o ator Murilo Benício está novamente com uma arma na mão - há pouco tempo ele era o bandido vintage Dodi, em A Favorita. "O Wilson tenta se manter honesto. Já gravei uma sequência em que a namorada dele compra uma bolsa pirata e ele fica bravo. Depois, ele compra a bolsa verdadeira para ela, em mil prestações", adianta Benício. Honesto, o tenente Wilson é um policial que convive com as limitações da lei enquanto atua na equipe na corregedoria chefiada pelo coronel Caetano (Milton Gonçalves). Disfarçado de taxista, ele desvenda casos em que há a suspeita de envolvimento de um policial. "A partir do Wilson, mostramos a vida dos seis policiais do departamento, e a maneira com que eles conciliam trabalho e vida pessoal", diz Aquino. "São policiais que acreditam na lei. Mas sabemos que aqui, essas leis são passíveis do jeitinho brasileiro. Essa discussão permeia o grupo", completa Alvarenga.A série vem no esteio do sucesso de Tropa de Elite, que seria adaptado para TV. O projeto esbarrou na decisão do diretor José Padilha de rodar Tropa 2. Sem a possibilidade de fazer a adaptação, Alvarenga pensou que era hora de um seriado policial - prova disso é que a Record fez o seu, A Lei e o Crime, que foi ao ar com êxito.Força Tarefa tem clima mais investigativo do que violento, segundo o diretor. Gravado em HD e com tratamento de cinema (24 quadros), o programa tem 70% das cenas gravadas em externas. "Acho que quando vêm ao Rio, Marçal e o Bonassi não vão a Ipanema", brinca Alvarenga, que tem levado sua equipe à periferia da cidade.O seriado junta novamente Aquino, Bonassi e Murilo, que trabalharam em Os Matadores (1997) de Beto Brant - por acaso, um dos filmes que reapresentaram o gênero policial ao público, bem à brasileira. "Desta vez, estou treinando para segurar a arma direito, como um policial", a nota Benício. "Antes, só fazia bandido, que segura a arma de qualquer jeito."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.