Músicos ''''choram'''' durante 12 horas ininterruptas

4.º ChorandoSemParar faz mistura de tendências do choro

O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O centro de São Carlos, no interior do Estado, será palco de um choro ininterrupto de 12 horas. Um não, de vários. A partir das 10 h de amanhã, tem início na Praça XV de Novembro a maratona do 4º ChorandoSemParar, que exercita diferentes tendências desse gênero instrumental e comemora os 150 anos da cidade paulista.O homenageado deste ano é o multiinstrumentista cearense Zé Menezes, que tem 86 anos, dos quais mais de 70 dedicados à carreira, e é autor dos choros Encabulado e Nova Ilusão. Influenciado pelas harmonias do violonista Garoto e pelos arranjos do maestro Radamés Gnattali, ele se apresenta na tenda principal às 19 h. Nas outras edições, as homenagens foram para os cobras Izaías do Bandolim (2004), o flautista Altamiro Carrilho (2005) e o clarinetista Paulo Moura (2006).Além do palco principal, foi montada uma tenda auxiliar, na qual se abrigam os músicos fazendo rodas de choro mais descontraídas. Segundo a organizadora do evento, Fátima Camargo, haverá surpresas nos 12 shows, cada um com duração de cerca de uma hora. ''''Um músico vai subir de repente na apresentação do outro'''', ela conta.Uma das atrações mais esperadas é o duelo de cordas entre o bandolinista Hamilton de Holanda e o norte-americano Mike Marshall. A dupla toca às 20 h. Autor de Luperceando e Conversa de Bandolim, o instrumentista carioca é um dos mais aclamados da nova geração e flerta com outros gêneros além do choro.O ChorandoSemParar pode fazer os mais puristas ficarem de cabelo em pé. Além de shows com instrumentos eletrificados, que causam pruridos em muitos chorões defensores da técnica acústica como sendo a única possível para a execução do choro, os músicos farão o diálogo musical com outros gêneros, como o maxixe, o frevo, o samba de gafieira. E exercícios musicais como a variação na mesma música de instrumentos solistas, mostrando ao público o virtuosismo dos intérpretes e as possibilidades de interpretação.Outra polêmica é o choro cantado. Para muitos, o gênero nasceu instrumental e deve ser preservado assim, apesar da importância de Ademilde Fonseca para a história do choro. Mas em todas as suas edições o evento convidou cantores. Neste ano, as convidadas são Ná Ozetti e Zélia Duncan. Ozetti será acompanhada pelo pianista André Mehmari, às 17 h, enquanto Duncan fecha a maratona chorona às 22 h.Explorando a fusão entre música erudita e popular, senda aberta por Ernesto Nazareth, um dos pioneiros, e ampliada por Gnattali, marcam presença a Orquestra e Banda Sinfônica da Escola de Música Maestro João Sepe (às 12 h), Orquestra Experimental da UFSCar (às 10 h) e Maestro Paulo Flores & Cambanda (16 h). O festival ChorandoSemParar é patrocinado pela prefeitura de São Carlos, pelo Sesc e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

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