Genya Savilov
Genya Savilov

Museu na Ucrânia expõe a guerra em tempo real

Intitulada 'Ucrânia - Crucificação', exposição reúne objetos autênticos coletados principalmente na região 'libertada' no norte de Kiev

Blaise Gauquelin, AFP

10 de junho de 2022 | 07h57

Os ucranianos agora podem visitar uma exposição sobre a guerra em tempo real em Kiev, onde podem ver capacetes, rações alimentares e mísseis recuperados após a retirada do exército russo de áreas ocupadas. 

Intitulada Ucrânia - Crucificação, esta exposição do Museu da História da Ucrânia da Segunda Guerra Mundial reúne objetos autênticos, coletados entre 4 de abril e 5 de maio, principalmente na região "libertada" no norte de Kiev. Foi inaugurada em 8 de maio e sua montagem em tempo recorde foi possível graças à colaboração com o Exército, a Presidência, o governo ucraniano e as autoridades regionais. 

Na entrada, uma grande estrela vermelha pode ser vista no chão feita de botas militares. Notas pessoais e cartões de soldados russos mortos no front estão expostos em vitrines. Nos passaportes, as datas de nascimento mostram que eram jovens. E uma placa de carro da Sibéria prova que alguns deles vieram de longe. 

Há também vários potes de "borchtch" - uma sopa tradicional ucraniana também típica de vários países eslavos - em sua versão "halal", para atender aos combatentes chechenos de maioria muçulmana alistados por seu líder Ramzan Kadyrov.

Mísseis foram colocados em uma janela, escurecidos e quase destruídos por uma explosão. "Aqui podemos ver e sentir a guerra com as mãos", disse o comissário Yuri Savtchouk à AFP. "Também é o objetivo: chocar as pessoas para que percebam o que está acontecendo".

Muito difícil de ver

No porão do museu, um abrigo foi reconstruído a partir de imagens. Dezenas de civis se refugiram no local por 37 dias, incluindo várias crianças e um bebê de seis meses. 

Alguns tijolos colocados no chão simbolizam a morte de duas pessoas, que morreram neste subsolo insalubre e úmido. Em uma tela, a mãe do bebê conta sua experiência angustiante. "É realmente muito difícil de ver", diz Zoya Didok, 26, visitante que trabalha no setor bancário. "Felizmente eu não morava em uma dessas cidades onde os russos estiveram." 

No primeiro andar, há o pórtico de uma igreja destruída por um bombardeio e uma sala com várias obras de artistas ucranianos. Uma granada escondida debaixo de um brinquedo de um parquinho lembra o impacto da guerra em milhões de crianças ucranianas. 

Um memorial da Segunda Guerra Mundial, destruído na comuna de Gostomel, dá a sensação de já ter vivido a situação e traça um paralelo entre as duas guerras. "Também queremos responder à propaganda russa, que montou uma exposição em Moscou sobre o suposto fascismo que teria que ser combatido na Ucrânia", explica Yuri Savtchouk.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.