MARTIN BERNETTI / AFP
MARTIN BERNETTI / AFP

Museu é inaugurado para exibir arte de rua da 'revolta social' no Chile

O espaço fica na Praça Itália de Santiago, renomeada pelos manifestantes como Praça Dignidade, epicentro de protestos sociais gigantescos e às vezes violentos

AFP, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 10h42

Dezenas de murais e grafitis que cobriram as ruas do Chile durante os protestos de outubro de 2019 e a enorme réplica de um cachorro de rua ícone do movimento fazem parte do primeiro museu da Revolta Social, que abriu suas portas neste mês em Santiago.

Junto com as manifestações que eclodiram no Chile em 18 de outubro do ano passado, surgiu também um potente movimento cultural que teve como principal vitrine as ruas da capital, onde diversos artistas representaram nos muros a raiva acumulada por anos de desigualdade social, mas também a esperança de um futuro melhor.

Um ano depois, com a maioria desta arte já apagada das paredes das ruas, foi inaugurado o primeiro museu da Revolta Social, a poucas quadras da emblemática Praça Itália de Santiago, renomeada pelos manifestantes como Praça Dignidade, epicentro desses protestos sociais gigantescos e às vezes violentos.

"Queremos gerar este espaço que permita evidenciar o que foi expressado nas ruas em diversas manifestações, com fotografias, intervenções artísticas que respondem às diferentes demandas sociais", explicou à AFP o artista visual e museólogo Marcel Solá, que reuniu 70 artistas para que voltassem a reproduzir os murais, além de coletar objetos usados durante os protestos.

Nas paredes deste museu, obras que foram vistas na época voltaram a estampar as paredes, como a que mostra o ex-presidente socialista Salvador Allende com uma jaqueta de flores colorida e seus dedos formando um coração, ou também a de um grande anjo branco, com máscara na boca e a palavra "dignidade" na cabeça.

No meio do salão se destaca a réplica gigante construída pelo próprio Solá do falecido cachorro de rua chamado "Negro Matapacos", que com um lenço vermelho no pescoço defendia os estudantes da polícia e, devido à sua valentia, tornou-se um símbolo das manifestações.

Os protestos sociais deixaram mais de trinta mortos, milhares de feridos e muitos danos para o comércio e os edifícios públicos.

Um ano depois e após meses em que a pandemia impediu os protestos, as ruas comemoram um plebiscito que decidiu - por uma maioria esmagadora de 80% - a mudança da Constituição herdada pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), uma das principais exigências do movimento.

O museu abriu ao público no início de novembro e, devido às medidas sanitárias pelo coronavírus, funciona quatro horas por dia. Recebe, em média, cerca de 150 visitantes diários.

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