Museu do Prado redescobre Lorenzo Lotto, o retratista 'moderno' do Renascimento

Museu do Prado redescobre Lorenzo Lotto, o retratista 'moderno' do Renascimento

Um dos pintores mais originais do período é tema de exposição em Madri

EFE

19 Junho 2018 | 22h22

O Museu do Prado abre suas portas para um dos artistas mais originais do Cinquecento italiano, Lorenzo Lotto, retratista "moderno" do Renascimento, que pintou os “ignorados” da época e incluiu objetos da vida diária para mostrar “suas preocupações”.

Se Ticiano recebeu a encomenda de retratar os vencedores do século 16, Lotto fugiu das correntes pictóricas da época, o que o levou para a história da arte como um pintor moderno, pois em seus retratos foram incluídos objetos da vida de seus personagens, para mostrar sua época e psique.

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Para isso, segundo afirmou o diretor do Museu do Prado, Miguel Falomir, o especialista em arte Bernard Berenson já havia afirmado em 1895, que esse era o “primeiro pintor que que se interessava pelos estados de ânimo".

Lorenzo Lotto. Retratos é uma exposição organizada em parceria com a National Gallery, estará na galeria de arte de Madri desta terça, 19, a 30 de setembro, com 38 pinturas, dez desenhos, um selo, quinze esculturas e objetos semelhantes aos descritos em retratos, como um rosário de 1600, um anel de ouro do século 16 ou uma camisa masculina de renda e linho (1650-1700).

"Lotto (nascido em Veneza em 1480 e morto em Loreto em 1557) é um dos pintores mais originais de todo o Renascimento e um dos retratistas mais importantes de toda a história ocidental”, disse Falomir, também curador da exposição, juntamente com Enrico Dal Pozzolo, da Universidade de Verona.

“É possível”, ele admite, que Ticiano tenha sido melhor retratista que Lotto "mas acaba sendo tedioso pois porque a variedade de recursos utilizados por Lotto é enorme."

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Entre as pinturas que podem ser vistas há o retrato de um casal (feito entre 1523-1524), de propriedade do museu Hermitage em São Petersburgo (Rússia), que inclui um cupido irônico olhando para o marido e onde pintou uma espécie de canga sobre as costas do casal, enviando uma mensagem sobre o que ele pensava do casamento.

Mas em imagens como esta, explicou Falomir, também destaca outra das contribuições de Lotto para a arte do retrato: "até então na pintura italiana o casal era representado em dois quadros (um para os homens e outro para as mulheres) e ele os retrata juntos ".

"Ele também trabalhou com um novo formato horizontal (até então era vertical) que lhe permitiu incluir objetos que refletiam as preocupações do personagem, assim como contar sobre a sua vida (...) Ele nos ajuda a entrar na dimensão social e material da realidade do momento”, acrescentou.

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Segundo o diretor do Prado, a vida de Lotto é "muito conhecida" graças à descoberta de vários documentos e de seu livro contábil.

A exposição termina o testamento escrito de próprio punho pelo pintor italiano, carimbado com a "grua levantando voo", que teve como seu significado, nas palavras de Falomir, “o desejo da alma espiritual de elevar-se até o mundo das ideias."

Uma amostra que inclui obras dos lugares onde este pintor "nômade" trabalhou: sua Veneza natal, Treviso, Bergamo, Roma e a região das Marcas (Marche). Telas que vêm de centros como a Pinacoteca de Arte Antiga, em Bergamo, ou a Galeria Uffizi, em Florença, entre outras instituições internacionais. / Tradução de Claudia Bozzo

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