Mundo visto pelos cartuns

Organizada por Sérgio Augusto, coleção de três volumes traz desenhos clássicos da New Yorker

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

O hábito tornou-se enraizado: tão logo uma nova edição da revista The New Yorker é lançada, boa parte dos leitores não se interessa de imediato pelos artigos, mesmo que, ao longo de sua trajetória (a primeira edição saiu em fevereiro de 1925), a publicação tenha abrigado textos de escritores do primeiro escalão (John Cheever, J. D. Salinger, Vladimir Nabokov e Philip Roth, entre outros notáveis). "O cartum é, há décadas, a primeira coisa que seus leitores procuram", atesta o crítico, jornalista e colunista do Estado, Sérgio Augusto, que, ele mesmo um fã confesso da publicação, preparou três coletâneas temáticas dos desenhos, lançadas nesta semana pela editora Desiderata (96 páginas, R$ 49,90 cada).Com a fama de reunir os melhores escritores americanos em suas páginas, a New Yorker notabiliza-se pelo formato, conteúdo, humor, nível de seriedade, criatividade - a expressão "perfil", por exemplo, foi uma de suas célebres criações. E, claro, também pelos cartuns, cujas molduras abrigam tanto temas frívolos como de importância nacional. "Admirados, recortados, guardados, colecionados, os cartuns da New Yorker são verdadeiras crônicas gráficas - oportunas, perspicazes e concisas - dos acontecimentos, das atitudes, dos encantos, das neuroses e dos modismos do século 20; e, mais ainda, do espírito e do cotidiano de Nova York, desde o tempo em que o edifício da Chrysler ainda era o mais alto da cidade", escreve Augusto, coordenador da série The New Yorker Cartoons, coleção de seis livros temáticos com desenhos publicados desde a década de 1940 até os dias atuais.Os três volumes lançados agora trazem material sobre cachorros, gatos e terapia. Em julho, virão livros sobre médicos, advogados e dinheiro. Para o ano que vem, está prevista a publicação de uma coletânea de cartuns feitos por mulheres, sobre relacionamentos. "Dependendo da repercussão, outros deverão surgir, focalizando casais, coquetéis, outros bichos (além de gatos e cachorros), e o que mais costuma inspirar os cartunistas da New Yorker", explica Sérgio Augusto. "Afinal, os cartuns são para a New Yorker o que as coelhinhas são para a Playboy."

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