Multidão prestigiou todo tipo de música

Palco da São João concentrou o maior público da maratona, que atraiu 4 milhões

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

Como nas edições anteriores, os shows musicais foram os que atraíram o maior público na 5ª Virada Cultural, que terminou ontem, no início da noite, com apresentações de Maria Rita na Avenida São João e Beto Guedes no Teatro Municipal. A maratona, que também teve peças de teatro, filmes de terror, dança, malabarismo e manifestações de artistas plásticos, atraiu cerca de 4 milhões de pessoas, segundo estimativas da Prefeitura, novo recorde do evento.Dentre as mais de 800 atrações, merecem destaque as dos ídolos populares do palco brega no Largo do Arouche, a maratona em homenagem a Raul Seixas na Praça da Luz e os shows da Avenida São João. Se bem que cada palco teve seus bons momentos no horário nobre de sábado e na tarde de domingo, sempre acompanhados por multidões.Como se previa, choveu calcinha no show de Wando, que cantou acompanhado apenas de seu guitarrista e som de play-back. Além das calcinhas que ele "trocou" com a plateia ("Elas me dão as usadas e eu retribuo com novas", comentou, no camarim), Wando mexeu com a libido da fauna eclética que tomou o Arouche. Sacana, divertido, impagável, cantou (e declamou) até Vinicius de Moraes (Eu Sei Que Vou te Amar/Soneto de Fidelidade), mas o que se esperava mesmo era Fogo e Paixão (aquela do "Você é luz, é raio estrela e luar, manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô"), no fim, quando a praça veio abaixo.Em seguida, quem reinou no largo foi Reginaldo Rossi. Ele e sua banda mostraram diversidade espantosa, cantando não apenas os sucessos do cantor, mas outros de Roberto Carlos, Sinatra, Beatles, Elvis, temas clássicos de Mozart e Strauss, música árabe, carimbó, carnavalito e frevo, encerrando com uma mistura de Vassourinhas e Also Sprach Zaratustra. O grande momento foi quando fez uma versão mais gay que a original de I Will Survive, com trejeitos e tradução livre da letra. Loucura, loucura, loucura.Afetação e bom humor teve o show de Edy Star, no palco Toca Raul. O bolerão Sessão das Dez foi o ponto alto. Edy continua em boa forma vocal, mas o mesmo não se pode dizer do físico. Frase ouvida na plateia: "Essa pessoa Edy Star é ele ou ela?". Outro disse que ele parecia "Aracy de Almeida grávida." Maldades à parte, Edy foi um luxo. A certa altura, um fã tentou invadir o palco de Reginaldo, mas foi rendido por vários seguranças. O cantor autorizou a subida do dito cujo e até consentiu que ele o beijasse no rosto. Momentos depois, o mesmo cara se atirou sobre Thalma de Freitas, na São João. BNegão e dois seguranças a acudiram a tempo.O show do Instituto tocando Tim Maia Racional foi o melhor da noite naquele palco. Só tinha fera na superbanda de dez músicos, além dos dois vocalistas citados, mais Carlos Dafé e o MC Jamal, sensacional. O som também estava bom, mas o palco ridiculamente baixo e a grande área VIP na frente dificultaram muito a visão do público.O Camisa de Vênus sonoramente reformulado (com Luiz Carlini da guitarra) atraiu uma molecada que usava fraldas quando o grupo baiano fez sucesso com pedradas como Silvia e Não Matei Joana D?Arc, cantadas aos berros pela galera pós-adolescente. Mesmo desfalcados de Moraes Moreira, os Novos Baianos proporcionaram à multidão que lotou a São João ontem à tarde um momento de rara felicidade. Em boa forma vocal, Baby (ex-Consuelo) e Paulinho Boca de Cantor recriaram com brilho as melhores canções de seu álbum mais incensado, Acabou Chorare, de 1972, como A Menina Dança, Mistério do Planeta e Besta É Tu. Galvão falou alguns poemas, que se dispersaram na massa. Pepeu arrasou na guitarra, especialmente no forró instrumental Um Bilhete pra Didi, um dos números de maior vibração do público. Mas eles se superariam nos clássicos Preta, Pretinha e Sampa (Caetano Veloso), frisando os versos "E os Novos Baianos passeiam na tua garoa/E novos baianos te podem curtir numa boa". Foi uma comoção geral. Memorável.De vestido de paetê frente única e sandália de prata, Maria Rita fez um show sensual e animado. Com muito samba no pé, dançou o tempo todo e foi muito simpática com o público. Jogou charme e até mesmo flertou com a plateia. Entre uma música e outra, na hora dos aplausos chegou a pedir mais e mais palmas, levantando os braços para cima. No que foi calorosamente atendida. COLABOROU VALÉRIA FRANÇA

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