Sergio Guerini / Paulo Darze Galeria
Sergio Guerini / Paulo Darze Galeria

Na SP-Arte 2018, muda o perfil do colecionador, que busca os contemporâneos

Alto preço dos modernos direciona compradores para jovens artistas

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2018 | 06h00

Os resultados da vendas das galerias participantes da 14ª. edição da SP-Arte, que terminou no domingo (15), apontam para uma ligeira recuperação do mercado de arte, que enfrentou uma retração no ano que passou e agora caminha para um novo patamar – tanto de preços como de novos clientes. Os jovens colecionadores já pesam na recomposição dos acervos e times das galerias. Obras modernistas, que até recentemente eram disputadas pelos colecionadores mais tradicionais, não são exatamente os objetos do desejo dos compradores mais jovens, que preferem investir nos contemporâneos. A despeito disso, a obra mais cara da feira era uma tela da modernista Tarsila do Amaral dos anos 1950 (R$ 17 milhões). A marchande Ana Dale, da Galeria Almeida e Dale, garantiu que a pintura está reservada.

Além de Tarsila não foram registrados preços estratosféricos na feira. A pintora constitui uma exceção, até porque é o nome mais importante do modernismo brasileiro e está como uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York.

O preço médio das obras caras vendidas na SP-Arte ficou entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, faixa que inclui as telas maiores do pintor Rubem Valentim que a galeria Paulo Darzé levou para a feira – mais de meia centena de obras suas foram para a SP-Arte (o marchand vendeu quase a metade delas).

A busca por artistas contemporâneos foi maior até em galerias que trabalham tradicionalmente com os modernos, como a Dan. O marchand Ulisses Cohen revela que os novos colecionadores querem, sim, grandes nomes do modernismo brasileiro como Volpi, ou artistas internacionais como Cruz-Diez (uma fisiocromia sua foi vendida por US$ 200 mil), mas buscam diversificar suas coleções com artistas contemporâneos de fora – a Dan vendeu obras múltiplos do português Cabrita Reis por R$ 50 mil, preço razoável para quem inicia uma coleção.

A Galeria Nara Roesler vendeu peças por preço similar. Um obra tridimensional de Brigida Baltar foi vendida para uma fundação por R$ 60 mil. Mas a média da galeria foi superior a esse preço, atingindo o patamar de US$ 300 mil (uma obra cinética de Julio Le Parc). Um sucesso popular da galeria é Vik Muniz – seis exemplares de uma obra sua que replica uma tela de Tarsila foram vendidos por US$ 55 mil cada.

+++ SP-Arte chega ao fim com preferência por obras mais em conta

Prova de que os jovens colecionadores buscam artistas de produção recente é a Casa Triângulo. O proprietário, Ricardo Trevisan, diz que suas vendas superaram as expectativas. A pintora Vânia Mignone já ultrapassou a faixa de R$ 100 mil por tela (foi vendida) e Sandra Cinto continua num patamar alto (a galeria vendeu uma obra sua por R$ 200 mil).

Nessa mesma faixa estavam veteranos como os escultores Sérvulo Esmeraldo e Waltercio Caldas, representados pela Galeria Nara Roesler. Segundo a marchande Raquel Arnaud, uma obra do primeiro foi vendida por R$ 250 mil. A obra de Waltercio alcançou R$ 180 mil. A galeria vendeu duas obras de Carla Chaim para a Pinacoteca do Estado. Preços entre R$ 14 mil e R$ 18 mil.

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