SERGIO CASTRO|ESTADÃO
SERGIO CASTRO|ESTADÃO

MuBE inicia nova fase com mostras e criação de diretoria

Museu Brasileiro da Escultura prepara atividades e reparos e prevê eleição de diretores e conselheiros para agosto

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2016 | 04h00

Desde a semana passada, obras escultóricas de Raul Mourão e de Albano Afonso estão expostas nas áreas interna e externa do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), no Jardim Europa. Mais ainda, uma peça sonora criada pela artista Chiara Banfi e pelo compositor Kassin pode ser ouvida no anfiteatro localizado debaixo da marquise que compõe o edifício da instituição, desenhado em 1987 pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. “O MuBE é apelidado como Museu Brasileiro de Eventos, mas queremos entender que o ‘E’ é de escultura, espaço e também de ecologia”, afirma o curador Cauê Alves.

“O MuBE é um museu esvaziado”, diz a consultora financeira Flavia Velloso, que vem coordenando o processo de reestruturação da instituição. No fim do ano passado, Flavia convidou Cauê Alves para ser o curador do MuBE. As mostras Você Está Aqui, de Raul Mourão, Em Estado de Suspensão, de Albano Afonso, e a intervenção Fase 3, de Chiara Banfi e Kassin, são agora, na verdade, o segundo projeto expositivo desta nova fase do museu. 

“Temos plano de curto e de longo prazo”, explica a consultora. Os primeiros esforços são dedicados ao restauro do prédio e de jardim, projetado por Burle Marx, e “criar consistência curatorial e uma programação relevante”, completa Flavia, que indica também o projeto de inscrever um Plano Anual de Atividades Culturais do MuBE para 2017 (com planejamento de orçamento em torno de R$ 5 milhões) no Ministério da Cultura. “Em um segundo momento, temos a questão de acervo, criação de um comitê curatorial e atribuições; e na terceira etapa, a construção de um anexo para operar melhor o museu”, descreve a coordenadora.

Como conta Flavia Velloso, ela apenas conhecia o MuBE, inaugurado em 1995, “de livros” até ter sido convidada pelo presidente do museu, o empresário Jorge Landmann, para revitalizar a instituição. “Cheguei aqui por causa da Cleusa Garfinkel, uma das grandes mecenas”, diz a consultora, que foi, por sete anos, coordenadora do Núcleo Contemporâneo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e integrou, por um ano, a diretoria estatutária do recente processo de reestruturação do Masp.

Em agosto, será, afinal, realizada a eleição que vai regulamentar a nova estrutura administrativa do MuBE, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Ocip). Jorge Landmann, que foi eleito presidente da instituição em 2007, continuará a presidir a diretoria, a ser formada por Flavia Velloso, pela advogada Raquel Novais, do escritório Machado Meyer, e pelos colecionadores Karla Meneguel e Francisco Pedroso Horta. Mais ainda, 16 das 30 vagas do conselho do museu estão vazias. “Estamos em período de transição”, diz a consultora.

Segundo ela, a instituição já tem recebido contribuições financeiras. Por enquanto, explica, o museu contabiliza uma dívida bancária de cerca de R$ 60 mil e passivos de R$ 200 mil relacionados ao parcelamento de pagamentos do INSS. Mais ainda, o MinC analisa a prestação de contas de projetos do MuBE de desde 2007, totalizando R$ 3 milhões. “É uma questão em aberto”, afirma Flavia.

Neste processo de revitalização e “concepção” do museu, Paulo Mendes da Rocha, que acaba de ganhar o Leão de Ouro da 15.ª Bienal de Arquitetura de Veneza, tem sido imprescindível – e ontem mesmo ele esteve no MuBE para uma segunda visita à instituição. Mais ainda, Cauê Alves conta que está prevista para março de 2017 uma grande mostra dedicada ao arquiteto na instituição – e antes dela, para setembro, está programada a exibição de numeroso conjunto de obras da coleção do Instituto Figueiredo Ferraz, com sede em Ribeirão Preto.

“O projeto fundamental que elaborei para o MuBE é valorizar a arquitetura, tirar proveito dela, trazer trabalhos que possam usar a praça, já que a parte externa foi meio que abandonada como lugar público”, explica o curador, que vai se instalar definitivamente no MuBE a partir de agosto. Outra questão é “criar uma identidade” para o museu, o que inclui transformá-lo em “lugar para mostrar a arte latino-americana”.

RAUL MOURÃO, ALBANO AFONSO, CHIARA BANFI E KASSIN

MuBE. Avenida Europa, 218, tel. 2594-2601. 3ª a dom., 10h/19 h. Grátis. Até 31/7

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