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Mostra reúne contemporâneos e expoentes do minimalismo

'Into the Light' presta tributo ao estilo que faz 50 anos

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 03h00

No começo de 1965, justamente há 50 anos, o crítico inglês Richard Wollheim (1923-2003) criou um rótulo, arte minimalista, que muitos artistas do movimento - Dan Flavin (1933-1996), Donald Judd (1928-1994), Richard Morris e Sol LeWitt, entre outros - renegaram. O termo, apesar deles, vingou, identificando uma arte de tendência abstrata, monocromática e, de modo geral, marcada pela austeridade. Meio século depois, a marchande Raquel Arnaud, que está completando 40 anos de carreira com uma exposição do time de artistas da sua galeria, Into the Light, aberta a partir desta quarta-feira, 11, presta indiretamente um tributo aos minimalistas, cujo lema, o popular “menos é mais”, é particularmente oportuno em nossa época, caracterizada por hipérboles visuais.

Sem ser esquemática, Arnaud, responsável pela comercialização de obras que fogem ao escopo da arte minimal, mas conservam a mesma austeridade, reuniu na mostra artistas de diferentes gerações e origens, alguns já desaparecidos, para colocar à prova a ressonância do minimalismo nos dias que correm e também do concretismo, o grande momento da arte brasileira no século 20.


No centro da mostra a marchande instalou justamente uma obra do escultor norte-americano Richard Serra, que começou sua carreira nos anos 1960, ao lado dos citados minimalistas, consagrando-se como autor de gigantescas esculturas de aço. Na exposição, uma gravura sua de grandes dimensões (152,4 x 457,2 cm), impressão em bastão de tinta a óleo preta, vem ladeada por uma obra do escultor brasileiro Carlos Fajardo (de vidro e espelho laminado) e uma superfície modulada concebida em 1958 pela artista neoconcreta Lygia Clark (1920-1988), pertencente à série que a transformou na autora da obra mais cara vendida num leilão brasileiro (R$ 5,3 milhões em agosto de 2013).

Para mostrar que não é sectária, Arnaud reuniu na mostra concretos (o alemão Wolfram Ulrich e o argentino Luis Tomasello, morto no ano passado) e neoconcretos (Lygia Clark, Hércules Barsotti), artistas cinéticos (Jesús Rafael Soto) e construtivistas (Sergio Camargo), minimalistas (o francês François Morellet e a suíça Anne Blanchet) e contemporâneos não vinculados formalmente a escolas (novos talentos como Carlos Nunes, Carla Chaim e Ding Musa). Correm por fora nomes como o veterano escultor inglês Richard Long, um pioneiro da land art, que explora as relações arte-ambiente (como no círculo de granito, de 1998, instalado no jardim da galeria), e o gravador Arthur Luiz Piza (com um trabalho raro da série Capachos, de 1979).

Piza foi o primeiro artista com quem Raquel Arnaud trabalhou e ainda integra o seu time de estrelas 40 anos depois, uma prova da coerência da marchande, que ajudou a formatar o mercado de arte paulistano nos anos 1970 ao lado de galeristas como Luisa Strina, que também comemora 40 anos de atividade, e Paulo Figueiredo, morto em 2006, entre outros.

A exemplo de Piza, outros artistas participantes da exposição fizeram carreira internacional vinculados à galeria, como os escultores cariocas Waltercio Caldas e Sergio Camargo (1930-1990), cujo espólio é representado por Arnaud. Os estrangeiros presentes na mostra vieram de sua associação com a respeitada galeria francesa da marchande Denise René (1913- 2012), que ajudou a popularizar a arte cinética (Soto, Cruz-Diez, Arp, Calder) e firmou sociedade com Arnaud alguns anos antes de sua morte. Wolfram Ulrich, Morellet e Anne Blanchet são frutos dessa união. Mas ela não se acomodou. Três dos novos artistas ela descobriu na própria rua onde instalou sua galeria, na Vila Madalena.

Nova geração segue a trilha aberta pelo time de Serra

Entre Richard Serra e a nova geração descoberta por Arnaud estão veteranos que trabalham com poucos elementos e cores, como Cássio Michalany e Elizabeth Jobim, dois grandes artistas vinculados há anos à galeria da marchande, que descobriu na própria rua Fidalga, onde instalou a nova sede da galeria, um ateliê de contemporâneos avessos ao cromatismo hiperbólico da arte de hoje. São eles Carlos Nunes, a grande promessa de uma galeria que revelou, no passado, nomes como Waltercio Caldas. Nunes está na mostra com seus dois colegas do Ateliê Fidalga, Ding Musa, próximo dos neoconcretos, e Carla Chaim.

INTO THE LIGHT

Galeria Raquel Arnaud. R. Fidalga, 125, 3083-6322. 2ª a 6ª, 10h/19h; sáb., 12h/16h. Até 28/3. Abertura nesta quarta, 19h, para convidados. 

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