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Mostra reúne 172 imagens feitas pelo fotógrafo William Eggleston

Exposição está em cartaz no IMS, do Rio de Janeiro

Simonetta Persichetti - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 03h00

O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro traz para o Brasil as fotografias de William Eggleston, considerado o precursor do uso da fotografia colorida como expressão autoral. 

O ano era o de 1976, o museu, o prestigioso museu de arte moderna de Nova York (MoMA), o curador John Szarkowsky, diretor do departamento de fotografia do museu de 1962 até 1991. O artista William Eggleston, nascido em 1939 em Memphis, no Tennessee, é herdeiro de uma família que há gerações se dedicava ao cultivo do algodão. A exposição, William Eggleston's Guide, um conjunto de imagens coloridas. 

Se não foi a primeira, com certeza, foi uma das primeiras vezes que a fotografia colorida entrou pela porta da frente num museu. Até então era o preto e branco que dominava soberano e que ditava as ‘regras’ da boa fotografia - eram nomes como Henry Cartier-Bresson, Robert Frank e Walker Evans, só para citar alguns exemplos. A cor até então era considerada vulgar, óbvia demais, coisa de amadores. Além disso, a fotografia colorida, naquela época, estava vinculada à fotografia comercial, de moda, publicidade, muito longe do que se acreditava ser a fotografia artística. 


É o crítico Richard Woodward que nos lembra que o conhecido fotógrafo Ansel Adams, rigoroso na técnica de laboratório em preto e branco, escreveu ao museu quando a exposição de Eggleston foi aberta afirmando que “o museu estava desgraçando a si mesmo ao expor aquelas fotografias”. 

Eggleston se interessou por fotografia ainda estudante universitário em 1957, mas foi só na metade da década de 1960 que passou a se interessar pela fotografia colorida e suas possibilidades estéticas. 

Trinta e nove anos depois, e com as questões da época já superadas, aquelas fotografias chegam ao Brasil por meio da exposição William Eggleston, a Cor Americana, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. São 172 imagens realizadas durante as décadas de 1960 e 1970. Fotografias que retratam o cotidiano e a paisagem de pequenos subúrbios do sul dos Estados Unidos, tomadas que em muito lembra instantâneos de amadores, a fotografia ingênua, Uma foto que retratava o dia-a-dia como as de vitrines, estacionamentos de supermercados ou shoppings de beira de estrada, pessoas comuns, situações banais. E assim como Robert Frank que em 1958, com seu livro The Americans, “libertou a fotografia” de normas rígidas, William Eggleston trouxe uma simplicidade formal à fotografia da época. No texto escrito por Thyago Nogueira, curador da mostra e editor da revista Zum, no catálogo que acompanha a exposição, é o próprio fotógrafo que lembra como ficou encantado ao acompanhar o trabalho de amigo em um laboratório de revelação automática “comecei a ver essas imagens saírem - e elas saem em longas tiras - e achei que a maioria delas fosse um acidente. Algumas eram absolutamente lindas. E comecei a passar a noite toda admirando as tiras fotográficas”. 

E se no final da década de 1970 aquelas fotografias suscitaram muito barulho, chegando até a ser descritas como “imagens enfadonhas”, a estética de William Eggleston acabou por influenciar fotógrafos da contemporaneidade como a norte-americana Nan Goldin e o alemão Wolfgang Tillmans. É inegável que William Eggleston foi um dos precursores para entender o papel da cor na fotografia e suas possibilidades na construção da linguagem. 

A exposição que fica no IMS até 28 de junho. Além das imagens que fizeram parte da primeira exposição de 1976, traz também o ensaio Los Alamos, resultado de viagens de carro do Delta do Mississippi à Califórnia, além de 5 fotografias em preto e branco realizadas antes de assumir a cor como sua linguagem e um filme experimental Stranded in Canton, realizado entre 1973 e 1974 nos bares de New Orleans. Uma exposição que nos ajuda a relembrar a importância das raízes históricas, para podermos quebrar padrões preestabelecidos e ajudar a nos livrarmos de modas que muitas vezes acreditamos inovadoras. 

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