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Mostra 'Imagine Brazil' destaca a jovem produção brasileira

Uma nova maneira de criar narrativas é celebrada na exposição que apresentou na Noruega e na França obras de 14 novos artistas

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 03h00

Depois de exibida, desde 2013, no Astrup Fearnley de Oslo e no Museu de Arte Contemporânea de Lyon, chega ao Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, a exposição Imagine Brazil, coletiva que destaca a jovem produção artística brasileira pelo olhar de três curadores estrangeiros, o norueguês Gunnar Kvaran, o suíço Hans Ulrich Obrist e o francês Thierry Raspail. “Notamos que havia algo novo acontecendo no Brasil, o surgimento de artistas mais conceituais, mais narrativos”, explica Kvaran, diretor da instituição norueguesa que concebeu o projeto, “filiação”, diz, de uma sequência de mostras sobre a cena contemporânea de países como China Power Station (2006), India Highway (2009) e Uncertain States of America (2003) – esta última, com versão apresentada em 2011 no pavilhão da Bienal de São Paulo.


Originalmente, Imagine Brazil teria o brasileiro Paulo Herkenhoff entre seus curadores, mas o diretor do Museu de Arte do Rio teve de se desligar da exposição por causa de compromissos, afirma Gunnar Kvaran. Acompanhando a cena brasileira nos últimos 10 anos, principalmente, desde a apresentação, em 2007, da retrospectiva de Yoko Ono no Brasil, da qual foi curador, o norueguês conta que o objetivo não era exibir “o” retrato da jovem arte do País, mas desenvolver uma proposta original para o público europeu. “Conhecemos muito bem artistas neomodernistas e os que vêm dessa forte tradição, como Ernesto Neto, estrela internacional, além de figuras históricas”, define.

De uma forma geral, os 14 criadores selecionados para Imagine Brazil – Jonathas de Andrade, Sofia Borges, Rodrigo Cass, Adriano Costa, Deyson Gilbert, Marcellvs L., Cinthia Marcelle, Thiago Martins de Melo, Rodrigo Matheus, Paulo Nazareth, Paulo Nimer Pjota, Sara Ramo, Mayana Redin e Gustavo Speridião – não são diretamente ligados à abstração, diz Gunnar Kvaran. Ressalta o curador que os participantes “tentam encontrar novas formas de narrativas”, incorporando, neste processo, o “engajamento por problemas sociais e políticos” – “e a caótica situação brasileira aparece nas suas obras”, considera –, assim como a “inovação de linguagens”. “Não descobrimos ninguém que vocês não conheçam”, frisa.

Inevitavelmente, uma característica importante refletida na exposição, que chega ao Brasil em sua versão mais reduzida, é “uma mudança na cena das galerias brasileiras, como a chegada da Mendes Wood que trouxe diferentes atores para o mercado, como Thiago Martins de Melo, Pjota, Paulo Nazareth, mas nós já os conhecíamos de antes disso”, diz o diretor do Museu Astrup Fearnley de Oslo. Segundo ele, o Brasil possui um sistema muito mais fluído e desenvolvido do que outros países, como a Índia.

A exposição também mistura gerações ao apresentar trabalhos de brasileiros citados pelos jovens integrantes como referências. “Achamos que seria importante, especialmente, no norte da Europa, contextualizar esses participantes”, conta Kvaran. Como “cocuradores”, cada um citou um criador que pode ser entendido como uma espécie de “filiação artística” ou, em alguns casos, como “confirmação” de uma atitude.

Sendo assim, foram também o time de Imagine Brazil os músicos Arrigo Barnabé (convidado por Marcellvs L.) e Caetano Veloso (Jonathas de Andrade); os pintores Adriana Varejão (Paulo Nimer Pjota), Montez Magno (Deyson Gilbert) e Carlos Zilio (Gustavo Speridião); os escultores Maria Martins (Sofia Borges), Tunga (Adriano Costa e Thiago Martins de Melo) e Fernanda Gomes (Rodrigo Matheus); o xilogravador J. Borges (Paulo Nazareth); os artistas Rivane Neuenschwander (Rodrigo Cass), Cildo Meireles (Sara Ramo), Milton Machado (Mayana Redin); e o “Basquiat” brasileiro Pedro Moraleida (Cinthia Marcelle).


Nos espaços expositivos, curiosamente, as relações entre todos os participantes se tornam, na verdade, livres – o visitante não encontrará, portanto, as obras de um jovem e de seu “escolhido” lado a lado. “Tradicionalmente, os mais velhos escolhem os mais novos. É muito frequente, está em diferentes exposições na Europa, como uma ideia patriarcal, mas, na verdade, os mais velhos são muito limitados às próprias produções e realidades e, sendo assim, achamos que seria mais interessante que fizéssemos o contrário”, diz Kvaran. O norueguês completa que, entretanto, as peças expostas foram selecionadas pelos curadores.

SERVIÇO:

IMAGINE BRAZIL. Instituto Tomie Ohtake. Av. Brig. Faria Lima, 201, 2245-1900. 3ª a dom., 11h/ 20h. Grátis. Até 3/5. Abertura nesta quinta, 12, às 20 horas.

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