Mostra de Toronto confirma prestígio de documentários

Terceira edição do Brafft, no Canadá, premiou Simonai como melhor longa

Elaine Guerini, TORONTO, O Estadao de S.Paulo

10 Setembro 2009 | 00h00

Micael Langer só confessou o nervosismo ao projetar Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei no Canadá após levar o prêmio de melhor filme nesta 3ª edição do Festival de Cinema Brasileiro em Toronto (Brafft). "Por ser um filme muito brasileiro, não sabia como os canadenses receberiam a informação, por não terem as nossas referências", contou o diretor, que resgatou os altos e baixos na vida e na carreira do cantor Wilson Simonal em parceria com Calvito Leal e Cláudio Manoel. "Imaginava que o filme tivesse maior impacto em países da América do Sul, que também sofreram com a ditadura militar, não no Canadá, com histórico tão democrático." Este é o primeiro prêmio que o documentário recebe no exterior, após passar por mostras em Paris, Lisboa e Nova York.

Embora em minoria, o gênero documental provou seu prestígio na entrega dos prêmios, anteontem à noite, no Lula Lounge. Loki - Arnaldo Baptista, história de superação do ex-integrante dos Mutantes, levou o prêmio de público na categoria longa. "Foi bom receber cumprimentos de uma senhora canadense de 70 anos, emocionada, após a sessão. Ela disse que dali já entraria na primeira loja de discos à procura de um CD dos Mutantes", contou o diretor Paulo Henrique Fontenelle.

De Braços Abertos, de 52 min, que relembra o planejamento e a construção do monumento do Cristo Redentor, no Rio, deu à cineasta Bel Noronha duas estatuetas: de direção e prêmio de público na categoria de curta e média-metragem. "Nem só o espectador canadense se surpreende ao descobrir a real história do Cristo. No Brasil, muitos ainda pensam que a obra foi presente da França", diz Bel, bisneta do engenheiro Heitor da Silva Costa, que teria idealizado e executado a obra, hoje uma das maravilhas do mundo.

O longa de ficção Se Nada Mais Der Certo, sobre trio que se une para aplicar um golpe, conquistou os prêmios de diretor (José Eduardo Belmonte), ator (Cauã Reymond) e atriz (Caroline Abras). Em curta e média, o júri elegeu Sildenafil como melhor filme, ator (Ricardo Petraglia) e atriz (Marília Medina). Sildenafil levou a plateia do Bloor às gargalhadas com a obsessão da esposa em dar Viagra ao marido, um sessentão desmotivado e paranoico. Edu Felistoque recebeu menção honrosa do júri pela trilha sonora de Inversão, único inédito no Brasil entre os longas selecionados. Da mostra paralela, Up To 3, voltada a filmes de animação com duração de até três minutos, venceu o divertido Bárbara, em que Maurício Lídio Bezerra simula o suicídio da boneca Barbie, ao completar 50 anos.

"O festival está crescendo, tivemos 208 filmes inscritos este ano, um recorde", disse a produtora executiva Bárbara de la Fuente (baseada do Canadá), que realiza o Brafft em parceria com Cecília Queiroz, a produtora no Brasil. Foram exibidos 13 filmes, de 4 a 8 de setembro, e os premiados receberam troféu criado pelo designer Nilson J. dos Santos, o Golden Maple, que funde o mapa do Brasil com a folha da árvore maple (bordo, em português), um dos símbolos do Canadá.

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