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Mostra de Mira Schendel marca inauguração de galeria

Frente exibe 148 obras da artista de renome internacional; exposição vem acompanhada de um catálogo com texto de Taisa Palhares, que assinou a retrospectiva da pintora na Pinacoteca

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2015 | 04h00

A primeira obra que o marchand Acácio Lisboa vendeu, aos 19 anos, foi uma pintura da artista suíça, naturalizada brasileira, Mira Schendel (1919-1988). Nesta quinta-feira (20), aos 35 anos, o filho do leiloeiro James Lisboa abre sua Galeria Frente justamente com uma grande exposição da pintora, que, nos últimos anos, tem recebido homenagens dos principais museus do mundo, do Jeu de Paume, em Paris, ao MoMA de Nova York, passando pela Tate Modern de Londres, que trouxe para a Pinacoteca do Estado, em 2014, a retrospectiva que o museu montou na Inglaterra.

São 148 obras na mostra da Galeria Frente, das monotipias, desenhos sobre papel de arroz que marcaram sua produção, às têmperas dos anos 1960, hoje muito disputadas, além de séries pelas quais Mira é imediatamente reconhecida, como a dos Bordados (trabalhos em ecoline sobre papel, dos anos 1960) e Toquinhos (peças em letraset e papel tingido colado sobre papel, dos anos 1970).

Com curadoria do próprio marchand, a exposição vem acompanhada de um catálogo luxuoso com texto de Taisa Palhares, que assinou a retrospectiva da pintora na Pinacoteca com a curadora inglesa Tanya Barson, da Tate Modern.

A mostra inaugural da Galeria Frente, em preparo há mais de dois anos com supervisão da herdeira da artista, sua filha Ada Schendel, segundo o marchand, traz obras históricas, como seu Diário de Londres (1966), no qual Mira utiliza pela primeira vez as letras decalcadas (letraset), que seriam posteriormente usadas na série Toquinhos. O pequeno caderno é uma espécie de diário visual em que ela recorre a outros materiais (caneta hidrocor, lápis de cor) para registrar impressões sobre sua passagem pela capital inglesa, inclusive a abertura de sua primeira individual em Londres, organizada, em 1966, pelo crítico Guy Brett na galeria experimental Signals.

Uma série histórica que também está na mostra é a do I Ching, que Mira concebeu originalmente em 1981 para a 16.ª Bienal Internacional de São Paulo. Embora não seja exibida em sua integridade – são apenas seis dos 12 trabalhos que constituem a série, que tem ainda outra versão –, é uma oportunidade de ver um trabalho que revela sua ligação com os estudos de Jung sobre o oráculo chinês, do qual dá sua interpretação visual das mutações do livro oriental.

A exposição inaugural da Galeria Frente conta com trabalhos provenientes de coleções privadas, inclusive do próprio marchand. “É uma oportunidade única para colecionadores”, resume Acácio Lisboa, que não teme abrir uma galeria em plena crise econômica. “É justamente o momento em que se torna possível comprar obras a preços mais acessíveis”, justifica o marchand. As cotações da obra de Mira cresceram muito depois das retrospectivas internacionais. Uma monotipia sua custa R$ 35 mil (e ela produziu mais de 2 mil). As pinturas alcançam 20 vezes mais.

Curiosamente, ela volta à rua Melo Alves, onde sua carreira ganhou impulso, nos anos 1980, graças à intervenção do marchand Paulo Figueiredo, que mantinha sua galeria na mesma rua. Acácio Lisboa lembra também que o imóvel onde foi instalada sua galeria pertencia à família Millan, tradicionalmente ligada ao mercado de artes, que também trabalhou com Mira. A próxima exposição programada por ele, para o primeiro semestre do ano que vem, será dedicada ao pintor, desenhista e artista gráfico construtivista Antonio Maluf (1926-2005), autor do cartaz da 1.ª Bienal de São Paulo.

O ESPAÇO INFINDÁVEL DE MIRA SCHENDEL

Galeria Frente. R. Dr. Melo Alves, 400, 3064-7575. 2ª a sáb., 10h/18h. Abertura nesta quinta (20), 11h, para convidados

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