Mostra celebra Cartier-Bresson e seu olhar que espreita o inusitado

Fotógrafo é tema de exposição, a partir do dia 16, no Sesc Pinheiros, e de livro a ser lançado na ocasião

Simonetta Persichetti, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2009 | 00h00

Captar o essencial com apenas uma imagem. Sempre foi esse o mote de Henri Cartier-Bresson (1908-2004) ao sair às ruas com sua inconfundível Leica para conseguir captar flagrantes com se estivesse capturando delitos. Invisível, como só ele acreditava ser, Cartier-Bresson nos ensinou a olhar de maneira diferente para as mesmas coisas que vemos todos os dias. Estar atentos. Prontos. Parte de sua estética inconfundível e que marcou a visualidade do século 20 poderá ser vista a partir do dia 16 no Sesc Pinheiros, como um dos eventos em destaque do ano da França no Brasil, numa iniciativa conjunta entre o Sesc São Paulo, a Agência Magnum e a Fundação Henri Cartier-Bresson. São 133 fotografias, que também fazem parte do livro Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo, que será lançado no Brasil pela Cosac Naify no dia da abertura da exposição.A mostra tem curadoria do editor Robert Delpire e inclui imagens realizadas em 23 países durante os 40 anos que fotografou. No Brasil, a coordenação geral do projeto (que inclui a mostra paralela Bressonianas, debates, oficinas e exibição de filmes) é do curador Eder Chiodetto, que dividiu as imagens da exposição em três grandes temas.O primeiro é Street Photography, caracterizado pelos flagrantes de rua onde os gestos cotidianos e a surpresa são o mote. Muitos confundem essas imagens com uma estética surrealista, mas basta ver seus filmes e ler seus depoimentos para ver que, sim, ele era amigo desses artistas, mas sua forma de entender a arte nunca fez parte de suas fotos. Talvez a presença surrealista que críticos afirmam se dê nas suas imagens flagrantes. Um olho que espreita o inusitado, o átimo aparentemente invisível.O segundo núcleo, Conflitos, nos apresenta o Cartier-Bresson fotojornalista, a partir do fim da 2ª Guerra Mundial. Um olhar mais duro, quase raivoso. Não podemos esquecer que ele mesmo ficou três anos preso num campo de concentração até conseguir fugir. As imagens europeias deste final bélico mostram toda a sua indignação com o regime nazista e também o seu respeito pela liberdade. Mais suaves e poéticas são as imagens da cobertura da morte de Gandhi na Índia. Um olhar que tenta captar a grandeza deste homem que já havia sido imortalizado por muitos outros fotógrafos.E, por fim, o terceiro núcleo é o de Retratos, onde podem ser vistos e revistos personagens relevantes de nossa época, quase sempre retratados num momento de distração, como se tivessem se acostumado à presença do fotógrafo e nem se dessem mais conta do que ele estava fazendo por lá. Cartier-Bresson começou a fotografar em 1931 durante uma viagem à África. Foi lá que ele teve seu primeiro contato com a Leica, a câmara fotográfica que se tornaria a extensão de seu olhar. E durante 40 anos não parou de fotografar. Suas imagens simples, diretas, aparentemente fáceis de serem feitas, encantam e nos mostram que seu silêncio as tornou referência imagética do século 20. Mas vai ser a partir de 1947, ao fundar com Robert Capa (1913-1954), David Seymour (1911-1956) e George Rodger (1908-1995) a agência cooperativa Magnum, que o profissional Cartier-Bresson se firma definitivamente como fotógrafo. Em 1974, ele deixa de lado a fotografia e volta para sua antiga paixão, a pintura e o desenho. Com a mesma simplicidade de suas fotografias, ele passou por este mundo: silencioso, mas fundamental.Para complementar a mostra de Henri Cartier-Bresson , o fotógrafo e curador Eder Chiodetto organizou uma exposição paralela, Bressonianas, com 42 imagens de fotógrafos brasileiros que, em algum momento, sofreram a influência do fotógrafo francês: imagens de Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Juan Esteves Tuca Vieira, Flávio Damm, Orlando Azevedo e Marcelo Buainain. Cada um desses profissionais traz em sua estética algo de bressoniano, sem contudo espelhar as fotografias do mestre. Daí o nome da exposição, Bressonianas: "São as imagens que nos lembram Cartier-Bresson e não os fotógrafos", comenta o curador. Imagens que relatam os gestos cotidianos, o flagrante da rua, que podem ser vistas e reconhecidas nas fotos de Cristiano Mascaro e Carlos Moreira; o olhar atento do fotojornalista que aparece nos trabalhos de Flávio Damm, desde sua época como fotógrafo da extinta revista O Cruzeiro, até o olhar mais atual do fotojornalismo de Tuca Vieira e o trabalho independente de Marcelo Buainain que fez da Índia o tema de seu trabalho. Olhares que em algum momento se cruzam com o olhar de Cartier-Bresson: "A paixão pelo prosaico e pela fugacidade da vida são marcas profundas da obra bressoniana", nos lembra Eder Chiodetto.O livro Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo foi publicado em 1979 com 155 imagens selecionadas pelo próprio fotógrafo em parceria com seu antigo amigo, o editor Robert Delpire. No livro ele apresenta suas imagens agrupadas em seis grandes capítulos, de forma a nos levar diretamente a uma reflexão do que estamos vendo, cria encontro de olhares inesperados para suas fotografia: "Bresson opta por promover o encontro de duas realidades distantes ao invés de estabelecer um critério cronológico de antologia ao volume", afirma Augusto Massi, editor da Cosac Naify. SERVIÇOEXPOSIÇÃOHENRI CARTIER-BRESSON - FOTÓGRAFOÁrea de exposições, Térreo e Sala de oficinas, 2º andar16 de setembro, às 20h (para convidados)Visitação de 17 de setembro a 20 de dezembro 2009Ter a sex, das 10h30 às 21h30 | sab, dom e fer, das 10h30 às 19h30MOSTRA BRESSONIANAS Área de exposições - 3º andar16 de setembro, às 20h (para convidados)SESC Pinheiros Endereço: Rua Paes Leme, 195 Horário de funcionamento da Unidade - Terças a sextas, das 13h às 22 h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Tel. para informações: 11 3095.9400 ESTACIONAMENTO - COM MANOBRISTA - VAGAS LIMITADAS - Veículos, motos e bicicletas - Terças a sextas, das 7h às 22h; Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Taxas: Matriculados no SESC: R$ 5,00 as três

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