Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Mostra antecipa homenagens pelos 500 anos de morte do pintor Rafael

Com oito núcleos, mostra 'Rafael e a Definição da Beleza – Da Divina Proporção à Graça' comprova a influência do artista na história da arte

Pedro Rocha, Especial para o Estado

05 Janeiro 2019 | 03h00

O público paulista vai ter mais uma oportunidade de ver a exposição Rafael e a Definição da Beleza – Da Divina Proporção à Graça, em cartaz no Centro Cultural da Fiesp, na Avenida Paulista. Inicialmente previsto para meados de dezembro, o encerramento da mostra foi prorrogado para o dia 13 de janeiro. 

Com entrada gratuita, a exposição é organizada em oito núcleos que contextualizam desde o momento anterior ao surgimento do pintor italiano Rafael de Urbino (1483-1520), ou Rafael Sanzio, até o seu período de atividade, com o Renascimento, e as transformações que se deram na História da Arte por sua influência. Iniciada no ano passado, a mostra, com curadoria de Elisa Byington, se antecipa as homenagens pelos 500 anos de morte de Rafael, em 2020. 

Como o subtítulo indica, a exposição começa retratando o conceito de beleza ligado à simetria, do século 15, com os tratados de Vitrúvio e de Leon Battista Alberti. No setor, é exibida ainda uma cópia da primeira edição de A Divina Proporção, de Luca Pacioli, de 1509, pertencente à coleção da Biblioteca Nacional. 

A mostra continua com um segmento sobre as virtudes da imitação. À época do Renascimento, a imitação era uma forma de aprendizado técnico. Por isso, o setor conta com obras do suposto mestre de Rafael, Pietro Perugino. “A imitação era a cópia de um exemplo, um horizonte de perfeição”, disse Byington, ao Estado, às vésperas da inauguração da exposição. “Subentende copiar o mestre, igualar o mestre e até superar o mestre, pressupõe uma evolução”, explicou.

A seção seguinte já traz um importante trabalho de Rafael, A Escola de Atenas, afresco que decora a Stanza della Segnatura, no Vaticano, executado entre 1508 e 1511. Uma projeção reproduz em tamanho real a obra, que é uma homenagem à Filosofia. Ao lado da projeção, um mapa indica todas as pessoas representadas por Rafael na obra, incluindo ele próprio. Ainda na mesma seção, há uma passagem sobre uma certa rivalidade que existiu entre ele e Michelangelo

Após os núcleos iniciais, finalmente chegam as três obras de autoria de Rafael que integram a exposição, numa seção intitulada Uma Nova Beleza, numa referência à mudança da ideia de beleza que sai do pensamento matemático para o conceito da subjetividade do artista. São exibidas três representações bem diferentes de Madonas, vindas de museus de Roma, Nápoles e Modena. 

“Não se trata mais da beleza exata, de proporções matemáticas, noções que haviam orientado o século anterior”, afirmou a curadora em comunicado à imprensa. “A nova beleza é contaminada pelo julgamento subjetivo que avalia a doce expressão dos sentimentos, o colorido harmonioso, a naturalidade da articulação entre as figuras, a variedade das fisionomias e a elegância dos gestos.”

A exposição segue ainda por outros setores que retratam o ateliê de Rafael e a sua influência na História da Arte. Estão expostas tapeçarias e vasos com estampas inspiradas pelo pintor, além de obras inéditas da coleção Yunes, de São Paulo, e da Fundação Eva Klabin, do Rio de Janeiro, e ainda um conjunto de mais de 50 gravuras produzidas no ateliê de Rafael e seus discípulos, que hoje integra o acervo da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

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IMS PAULISTA PRORROGA EXPOSIÇÕES

‘Millôr: Obra Gráfica’, até 24/2

‘Galeria 1 São Paulo: Três Ensaios Visuais’, 28/4, 

‘Estúdio Câmera Aberta, de Michael Wesely’, até 28/4

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RAFAEL E A DEFINIÇÃO DA BELEZA

Centro Cultural Fiesp. Av. Paulista, 1.313, tel. 3146-70003.ª a sáb., 10h/22h; dom., 10h/20h. Grátis. Até 13/1

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