Morto aos 93, Robert Venturi defendia o humor na arquitetura

Chamado de pai do pós-modernismo, o americano morreu na terça, aos 93 anos, de complicações do Alzheimer

Fred A. Bernstein, New York Times

21 Setembro 2018 | 06h00

Robert Venturi, o arquiteto americano cujos edifícios e livros best-sellers ajudaram a inspirar o movimento conhecido como pós-modernismo, no qual elementos históricos deram alento a formas contemporâneas, morreu na terça, 18, em sua casa na Filadélfia. Ele tinha 93 anos. A causa foi uma complicação causada pela doença de Alzheimer, disse seu filho, James Venturi, um cineasta.

Durante grande parte do século 20, arquitetos “sérios”, liderados por Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe, privilegiaram as superfícies sem adornos e formas estritamente geométricas. Mas em seu tratado Complexidade e Contradição em Arquitetura, publicado em 1966, Venturi argumentou que ornamento, referências históricas e até mesmo humor tinham seu lugar na arquitetura moderna. O livro foi uma réplica à afirmação de Mies de que “menos é mais”. “Menos é um tédio”, escreveu Venturi.

“Sou pela riqueza de significado e não pela clareza de significado”, explicou. Seu objetivo, ele disse, era despertar arquitetos “de sonhos afetados de ordem pura”.

O livro tornou-se um best-seller perene traduzido em mais de uma dúzia de idiomas. Na introdução, o eminente historiador da arquitetura Vincent Scully disse considerá-lo “provavelmente a mais importante escrita sobre a construção da arquitetura” desde Por uma Arquitetura, de Le Corbusier, publicado em 1923. Ele acusou os críticos de Venturi de “preocupação com uma estética um tanto quanto afetada e purista”.

Venturi vivia na Filadélfia, onde ele e sua mulher por mais de 50 anos, a arquiteta e planejadora Denise Scott Brown, dirigiram uma empresa com alcance internacional enquanto moravam em uma ampla casa antiga que eles decoraram com uma mistura eclética de móveis, alguns dos quais projetados. Seus edifícios eram conhecidos por usar elementos familiares em combinações desconhecidas.

Em 1964, Venturi concluiu uma pequena casa para sua mãe, Vanna, na Filadélfia. O edifício tem um telhado de duas águas que culmina em uma fenda profunda em vez do pico esperado – em 2005, foi saudada como uma obra-prima.

Nos anos 1980, sua empresa recebeu grandes encomendas, incluindo ampliações nos campi de Harvard, Yale e Princeton. Ao decorar suas fachadas, às vezes usando tijolos em padrões alegres, ajudou as faculdades a criar um diálogo entre seus prédios históricos (como os dormitórios góticos de Princeton) e as formas sobressalentes, rígidas e quadradas que se tornaram o padrão do século 20. No Brasil, Éolo Maia é um grande representante do pós-modernismo, com obras especialmente em Minas Gerais.

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